A defesa de Paulo, em aramaico
Atos 1-21
Paulo começou assim:
"Caros conselheiros:
Vocês são para mim como irmãos e pais.
Vou fazer a minha defesa e espero que me escutem"
Como perceberam que Paulo discursava em aramaico, a língua que falavam, eles ficaram em silêncio absoluto.
Paulo prosseguiu:
"Eu sou judeu.
Nasci em Tarso, na Cilícia, mas fui criado aqui em Jerusalém. Meu mestre foi Gamaliel. Com ele aprendi as leis do meu povo. Fui fiel aos mandamentos divinos, como vocês também são fiéis. Na verdade, fui mais fiel que vocês.
Explico:
Quanto aos cristãos que seguem o “Caminho”, eu os persegui duramente. Prendi tanto homens quanto mulheres e os levei para a cadeia. Tenho testemunhas. Perguntem aos sacerdotes e aos líderes dos judeus.
Numa ocasião, fui encaminhado por eles aos nossos conterrâneos de Damasco, com a finalidade de localizar os seguidores desse “Caminho” naquela cidade, algemá-los e escoltá-los até Jerusalém, onde seriam devidamente punidos.
Quando eu já estava perto de Damasco, uma grande luz celeste brilhou repentinamente ao nosso redor. Era quase meio-dia. Caí no chão e ouvi uma voz, que me perguntava:
— Saulo, Saulo, por que você está me perseguindo?
Eu respondi:
— Quem és tu?
A resposta foi:
— Eu sou Jesus de Nazaré, a quem você está perseguindo.
Os meus companheiros de viagem viram a luz, mas não entenderam as palavras que me foram ditas.
Então, eu perguntei:
— Ó Jesus, o que devo fazer?
Jesus me respondeu:
— Levante-se e entre em Damasco! Lá, você ouvirá tudo o que precisa fazer.
Como eu tinha ficado cego, por causa da intensidade da luz que me apareceu, fui guiado até Damasco pelas mãos dos meus companheiros.
Quando cheguei a Damasco, um homem veio ao meu encontro. Ele era um judeu muito apreciado entre os nossos conterrâneos na cidade. Seu nome era Ananias. Tão logo se aproximou, ele me disse:
— Irmão Saulo, volte a ver!
Imediatamente, recuperei a visão e o vi.
Ananias me disse:
— Saulo, o Deus de nossos antepassados escolheu você há muito tempo para conhecer o propósito dele para a sua vida, encontrar-se com o perfeito Jesus e ouvir dele o que tinha para lhe dizer. Você recebeu a missão de falar de Jesus a muitas pessoas, testemunhando sobre o que Ele fez em sua vida.
Em seguida, Ananias concluiu:
— O que você está esperando, Saulo? Levante-se para receber de Jesus o perdão dos seus pecados e ser batizado.
Então, vim para Jerusalém. Num dia em que orava no Templo, tive uma visão em que Jesus me disse:
— Saulo, ande rápido e saia imediatamente de Jerusalém! O povo aqui não vai aceitar o que você tem para dizer sobre mim.
Eu respondi:
— Ó Jesus, de fato, eles me conhecem. Eles sabem muito bem que eu ia às sinagogas à procura daqueles que criam em ti. Eu os prendia. Eu os espancava. Quando Estêvão foi morto por crer em ti, eu estava presente. Eu concordei com aquilo. Inclusive, eu segurei os casacos dos que mataram Estêvão.
Então, Jesus me disse:
— Saulo, siga em frente! Eu enviarei você para longe, para pregar aos não judeus espalhados pelo mundo".
Paulo chicoteado
Atos 22-29
Até esse momento, a multidão estava atenta, ouvindo. Quando, porém, Paulo falou que seria enviado aos não judeus, a gritaria voltou.
Eles berravam:
— Fora com este homem! Mate-o logo! Ele merece morrer!
Enquanto gritavam para protestar, eles tiravam os seus casacos e amaldiçoavam Paulo.
Em seguida, o coronel determinou que Paulo fosse recolhido à cadeia na fortaleza Antônia, chicoteado e interrogado, até que ficasse claro o motivo que tinha levado a multidão a ficar tão revoltada com ele.
Os soldados começaram a amarrar Paulo para o chicotear. Ele os interrompeu com uma pergunta dirigida ao oficial de plantão:
— Diga-me uma coisa: vocês, romanos, chicoteiam um cidadão romano antes de ele ser condenado?
Preocupado, o oficial foi ao coronel e lhe perguntou:
— Coronel, preste bem atenção ao que vais fazer. O prisioneiro é um cidadão romano.
O coronel veio ao encontro de Paulo e lhe perguntou:
— Responda-me o seguinte: você é romano?
Paulo respondeu:
— Sim, Excelência! Eu sou um cidadão romano.
O coronel comentou:
— Eu também, mas, no meu caso, tive que pagar caro para conseguir a cidadania.
Paulo lhe garantiu:
— Quanto a mim, tenho este direito desde que nasci.
Imediatamente, os soldados encarregados da sessão do chicoteamento foram dispensados.
O próprio coronel ficou receoso, porque tinha mandado torturá-lo.
Preparação para o julgamento no Sinédrio
Atos 30
No dia seguinte, o coronel tirou Paulo da cela, mantendo-o ainda preso na fortaleza. Em seguida, convocou os principais sacerdotes.
O militar queria saber quais eram as acusações contra o prisioneiro. Reunido o Sinédrio, o coronel mandou que trouxessem Paulo para ser julgado.
