A defesa de Paulo no Sinédrio
Atos 1-10
Estando diante do Sinédrio, Paulo começou a apresentar a sua defesa:
— Caros irmãos, eu lhes declaro a minha inocência diante do nosso Deus Eterno.
O sumo sacerdote Ananias (que ocupou a função por dez anos, a partir do ano 48) interrompeu o discurso e mandou que quem estivesse próximo de Paulo lhe desse um soco na boca.
Paulo, então, falou diretamente ao sumo sacerdote:
— Deus mesmo o castigará! Você é um hipócrita! Você está aqui para me julgar nos termos da lei, mas manda que eu seja agredido antes de me condenar.
Paulo foi advertido pelos que estavam próximos:
— Pare, Paulo! Desse modo, você está desrespeitando o sumo sacerdote do Deus Eterno.
Paulo respondeu:
— Desculpem-me, irmãos! Eu não sabia que Ananias é o sumo sacerdote. Se soubesse, não falaria assim, porque sei o que está escrito:
“Não fale contra uma autoridade”.
(Êxodo 22.28)
Paulo prosseguiu, levando em conta que o Sinédrio era formado basicamente por saduceus e fariseus, que eram rivais entre si. Ele disse:
— Irmãos, eu sou fariseu. Meus antepassados eram fariseus. Quero que saibam que estou sendo julgado por crer que os mortos ressuscitarão.
Essas palavras provocaram uma grande discussão entre os fariseus e os saduceus. O Sinédrio se dividiu.
Os saduceus não acreditavam haver vida depois da morte, já que, para eles, não existe ressurreição. Eles também não acreditavam na existência dos anjos ou na realidade da vida eterna.
Na reunião, todos gritavam ao mesmo tempo. Nesse momento, alguns teólogos fariseus tomaram a palavra e gritaram também:
— Este homem não fez nada de errado! Quem nos garante que o Deus Eterno não o está de fato inspirando para nos dizer o que ele está dizendo?
A discussão continuou. O coronel temeu pela segurança de Paulo. Por isso, determinou que os seus soldados tirassem Paulo do Sinédrio e o levassem de volta à fortaleza Antônia.
Coragem, Paulo!
Atos 11
Na noite do dia seguinte, Jesus apareceu a Paulo numa visão e lhe disse:
— Coragem, Paulo! Você falou de mim aqui em Jerusalém. Agora, você vai fazer o mesmo em Roma.
Plano para matar Paulo
Atos 12-24
Decorridos três dias da prisão de Paulo, alguns judeus se reuniram e decidiram que ficariam em jejum completo até que conseguissem matá-lo.
O grupo de conspiradores, que tinha mais de 40 participantes, enviou representantes para conversar com os sacerdotes e líderes mais importantes de Jerusalém. Suas palavras foram claras:
— Fizemos uma promessa diante do Deus Eterno. Não vamos comer nem beber enquanto não matarmos Paulo. Que o Deus Eterno nos condene, se não conseguirmos realizar esta missão! Por isso, peçam ao coronel Cláudio Lísias para enviar Paulo de novo ao Sinédrio. Explique que os judeus querem interrogar Paulo outra vez, para esclarecer algumas questões. Então, quando Paulo chegar, estaremos prontos para o atacar e eliminar.
Esse era o plano.
No entanto, Paulo tinha uma irmã que morava em Jerusalém. O filho dela foi ao encontro do tio na fortaleza Antônia e lhe contou tudo.
Paulo chamou um oficial do exército romano e lhe pediu:
— Leve este rapaz à presença do coronel. Há algo que o coronel Cláudio Lísias precisa saber.
O oficial concordou. Conduziu o sobrinho de Paulo à sala do coronel e relatou:
— Coronel, o prisioneiro Paulo me chamou e pediu para trazer este rapaz à tua presença, pois ele tem uma informação importante para o caso.
O coronel levou o rapaz para um canto e lhe perguntou:
— Pode falar! Qual é o recado?
O sobrinho de Paulo respondeu:
— Alguns judeus querem que leves Paulo ao Sinédrio. Eles vão te dizer que querem que Paulo faça um novo depoimento, para que possam tirar algumas dúvidas. É tudo falso. Eles querem te enganar. Na verdade, há 40 homens preparando uma emboscada. Eles fizeram uma promessa, diante do Deus Eterno, que nada comerão nem beberão enquanto não matarem Paulo. Para que o plano se cumpra, basta que concordes e envies Paulo de novo ao Sinédrio.
Depois de ouvir o rapaz, o coronel mandou que fosse embora, mas mantivesse sigilo absoluto sobre o que conversaram. Depois, chamou dois oficiais e lhes deu a seguinte ordem:
— Mantenham a guarnição de prontidão. Formem uma escolta reforçada, com 200 soldados a pé, 200 armados com lanças e 70 cavaleiros. A missão deles será levar Paulo até Cesareia Marítima (a capital política de Israel, localizada 120 km ao norte de Jerusalém). Quero que saiam hoje às 9h da noite. Preparem um cavalo para Paulo montar. Quero que ele seja entregue com toda a segurança a Antônio Félix (governador romano de Israel entre os anos 52 e 60).
Paulo protegido pelo coronel Cláudio Lisias
Atos 25-30
Cláudio Lísias preparou um ofício para ser entregue ao governador. O texto dizia:
"Ao Excelentíssimo Governador Félix.
Jerusalém, junho de 57.
Saudações.
Envio Paulo aos seus cuidados. Ele foi preso pelos judeus e estava perto de ser assassinado por eles.
Como sabia que ele era romano, eu o protegi com meus guardas. Para me certificar da acusação contra ele, apresentei-o ao Sinédrio. Descobri que Paulo era acusado por infrações religiosas próprias dos judeus, sem nenhuma justificativa para aplicação da pena de morte.
Fui informado de que havia um plano para que fosse morto numa emboscada. Por isso, rapidamente decidi encaminhá-lo a Vossa Excelência.
Também intimei os seus acusadores a comparecerem diante de Vossa Excelência, para que façam as acusações que julgam próprias.
Aguardo sua decisão.
Desejo que esteja passando bem.
Cláudio Lísias".
Paulo preso no Pretório
Atos 31-35
Em obediência às ordens recebidas, à noite, os militares retiraram Paulo da fortaleza Antônia e o levaram até a cidade de Antipátrida (Tel Afek, a 56 km de Jerusalém).
No dia seguinte, 400 militares retornaram ao quartel na fortaleza Antônia após deixarem Paulo sob os cuidados dos 70 cavaleiros, encarregados de levá-lo a Cesareia Marítima.
Assim que chegaram, entregaram Paulo ao governador, com o ofício escrito pelo coronel Cláudio Lísias.
Félix leu o ofício e perguntou a Paulo:
— Onde você nasceu?
Como Paulo respondeu que era natural da Cilícia, o governador lhe disse:
— Ótimo! A Cilícia também está sob a minha jurisdição. Aguarde, que vou interrogá-lo quando os seus acusadores chegarem.
Por ordem de Félix, Paulo foi encarcerado numa cela do Pretório, o palácio construído por Herodes I, o Grande, em Cesareia Marítima.
