Paulo e Festo, pela primeira vez
Atos 1-11
Três dias depois de ter sido empossado como governador de Israel, Pórcio Festo deixou Cesareia Marítima e foi a Jerusalém.
Imediatamente, os principais sacerdotes e os líderes religiosos lhe fizeram uma denúncia contra Paulo. Como solução, pediram que o governador transferisse Paulo de volta para Jerusalém.
O plano deles era continuar com a emboscada e matar Paulo durante a viagem.
Festo não acatou o pedido e determinou que Paulo ficasse preso até o julgamento. Ele informou ainda que voltaria logo para Cesareia Marítima. Festo ainda lhes garantiu:
— Quando eu deixar Jerusalém e retornar para Cesareia Marítima, os líderes religiosos poderão me acompanhar. Quando o julgamento acontecer, poderão apresentar as acusações que dizem ter contra Paulo.
Festo permaneceu em Jerusalém por uma semana.
Pouco depois, ele retornou a Cesareia Marítima. Tendo chegado, já no dia seguinte, convocou os membros do tribunal e determinou que Paulo fosse trazido.
Paulo entrou e foi logo cercado pelos judeus que fizeram gravíssimas acusações contra ele, embora sem nenhuma prova.
Paulo se defendeu:
— Não desobedeci a nenhuma lei nem de Israel nem do Império Romano. Não cometi nenhum crime, seja religioso ou político. Sou inocente!
Festo lhe fez uma pergunta, então:
— Você aceita ir a Jerusalém e ser julgado lá por mim quanto às acusações que tem recebido?
O governador disse isso para agradar aos judeus.
Paulo, porém, respondeu:
— Excelentíssimo Governador, eu estou num tribunal romano, o único que tem competência para me julgar. Vossa Excelência sabe que não infringi nenhuma lei. Estou sendo acusado de blasfêmia religiosa e de agitação política, crimes que são punidos com a morte. No entanto, são falsas todas as alegações que estes líderes estão fazendo contra mim. Não posso ser devolvido ao Sinédrio, que não tem competência para me julgar. Eu tenho direito de ser julgado por um tribunal romano. Por isso, apelo para o Imperador.
Depois de consultar os conselheiros, Festo respondeu:
— Assim será feito! Já que apelou para a instância superior em Roma, é para lá que você vai!
Paulo e Herodes Agripa II
Atos 12-22
Alguns dias depois, Festo recebeu a visita do rei Herodes Agripa II.
Conhecido entre os romanos como Marco Júlio Agripa, ele era filho de Herodes Agripa I e bisneto de Herodes I, o Grande. Agripa II governou o território ao norte de Israel entre os anos 50 e 70.
Ele estava acompanhado por sua irmã Berenice (ou Verônica, em latim).
Durante a estadia dos dois em Cesareia, Festo lhes apresentou o caso de Paulo, nos seguintes termos:
"Majestade:
O governador Antonio Félix, meu antecessor, deixou preso aqui um homem de nome Paulo. Os sacerdotes e os líderes religiosos de Israel o denunciaram formalmente quando estive em Jerusalém. Queriam que eu o condenasse.
Eu lhes informei que nós, os romanos, não condenamos uma pessoa sem o devido julgamento, garantido o amplo direito de defesa por parte do acusado.
Por isso, eles vieram para Cesareia e eu, já no dia seguinte, convoquei o tribunal e determinei que Paulo fosse trazido. Quando os acusadores falaram, não o acusaram de atentar contra o Império Romano. Na verdade, só mencionaram temas referentes à religião judaica. Chegaram a dizer que Paulo garantia que um falecido, de nome Jesus, está vivo.
Como fiquei sem saber o que fazer, perguntei a Paulo se ele queria ser transferido para Jerusalém e lá ser julgado. Rejeite o que é errado entanto, Paulo apelou para que continuasse sob nossa custódia até ser julgado pela corte imperial. Paulo está aqui aguardando que eu o envie para Roma"
Demonstrando interesse pelo caso, Herodes Agripa II pediu:
— Festo, quero interrogar este homem.
Festo respondeu:
— Amanhã mesmo Vossa Excelência poderá interrogá-lo.
A defesa de Paulo diante do rei Herodes Agripa II
Atos 23-27
Foi tudo muito rápido. No dia seguinte, Agripa e Berenice chegaram ao palácio cercados por um grande cortejo. Acompanhados pelas altas autoridades da cidade, os dois entraram na sala do tribunal.
Paulo foi trazido em seguida.
Festo fez o discurso inaugural:
"Saúdo Vossa Majestade, o rei Herodes Agripa II, e todos os presentes aqui.
Eu lhes apresento Paulo, o homem que os judeus querem que eu condene à morte. Eles me fizeram o mesmo pedido em Jerusalém. Depois de interrogar as partes, concluí que ele nada fez para ser condenado à morte.
No entanto, antes que eu desse o veredito, ele apelou para o nosso augusto Imperador.
Confesso que nada tenho para escrever contra ele ao Imperador.
Espero que vocês e especialmente Vossa Majestade, ó rei Herodes Agripa II, interroguem o acusado e me digam o que devo escrever para o Imperador, quando o enviar para Roma. Afinal, eu não posso encaminhar um preso para a instância superior sem declarar de que é ele acusado".
