O diálogo entre Paulo e o rei Herodes Agripa II
Atos 1-23
Dirigindo-se a Paulo, Herodes Agripa II disse:
— Você está autorizado a se defender. A palavra é sua!
Paulo, então, levantou a mão para pedir a atenção de todos e se defendeu, nos seguintes termos:
"Majestade:
Começo por registrar a minha gratidão à Vossa Majestade, ó rei Herodes Agripa II, por tua presença neste tribunal. Assim, poderei apresentar a minha defesa diante das acusações que alguns judeus fazem contra mim. Estou feliz porque sei que Vossa Majestade conhece bem os costumes e as divisões existentes no judaísmo. Peço que me ouça com paciência.
Falo primeiramente da minha juventude, juventude que passei com o meu povo em Jerusalém. Sou bem conhecido dos judeus há muito tempo e eles mesmos podem testemunhar que estou falando a verdade. Eu sou fariseu. Sempre vivi como um fariseu. Em nossa religião, o farisaísmo é o grupo mais exigente de todos.
Estou sendo julgado pelos da nossa religião porque creio que agora se tornou real a esperança que o Deus Eterno prometeu aos nossos antepassados, a mesma esperança pela qual todas as 12 tribos de Israel ainda aguardam. Por essa esperança, meu povo ora insistente e diariamente ao Deus Eterno. E é por causa dessa mesma esperança que estou sendo acusado por alguns do meu povo. Para mim, é certo que o Deus Eterno é poderoso para ressuscitar.
Antes de crer desse modo, meu propósito de vida era fazer o que me fosse possível para que a mensagem de Jesus de Nazaré não prosperasse. Agi nesse sentido, quando morava em Jerusalém. Procurei os principais sacerdotes de Israel para receber autorização para fazer o que eu pretendia. Devidamente autorizado, prendi muitos cristãos. Quando eram julgados, meu voto era para que fossem condenados à morte.
Eu persegui muitos deles, procurando-os nas sinagogas. Eu bati em muitos deles até que negassem a sua fé. Tomado de uma fúria irrefreável, eu persegui os cristãos que moravam em cidades fora de Israel.
Com esse objetivo, autorizado e consagrado pelos principais sacerdotes de Israel, dirigi-me à cidade de Damasco, na Síria. Ah, Vossa Majestade! No caminho, eu vi uma luz intensa no céu. Ela era mais forte que a luz do sol e brilhou ao nosso redor. Era meio-dia.
Eu e meus companheiros fomos arremessados ao chão.
Em seguida, eu ouvi uma voz que me perguntava em aramaico:
— Saulo, Saulo, por que você está me perseguindo? Por que você resiste ao meu chamado?
Eu perguntei:
— Quem está falando comigo?
A voz me respondeu:
— Eu sou o Jesus que você está perseguindo.
Jesus ainda me disse:
— Agora, levante-se e permaneça em pé! Vim ao seu encontro para lhe dizer que escolhi você para uma missão muito especial. Quero que pregue sobre o que já sabe e sobre o que ainda lhe ensinarei. Os judeus nada conseguirão contra você, porque você precisa realizar a missão de pregar o Evangelho aos não judeus. Por seu intermédio, os não judeus perceberão a verdadeira condição espiritual deles e se arrependerão dos seus pecados; eles se aproximarão de Deus e se afastarão do poder de Satanás. Desse modo, serão perdoados dos seus pecados e passarão a viver na alegria dos que creem em mim".
Paulo retomou o seu discurso:
"Majestade, o que fiz foi ser obediente à visão celestial. Depois daquela experiência, preguei o Evangelho primeiramente aos judeus moradores de Damasco, de Jerusalém e de todo o Israel, mas sem esquecer os não judeus. Em minha pregação, eu pedia a todos que se arrependessem e se voltassem para o Deus Eterno. Foi por causa disso que, estando eu no Templo, alguns judeus me prenderam e tentaram me matar. O Deus Eterno me livrou e aqui me encontro.
Estando diante das pessoas, sejam simples ou sejam poderosas, a minha mensagem é sempre a mesma, baseada na Bíblia, que nos diz que o Cristo viria para trazer a luz da salvação tanto para os judeus como para os não judeus. Por isso, Ele morreu, mas foi o primeiro a ressuscitar"
Paulo e Festo, pela segunda vez
Atos 24-32
Neste ponto, Festo interrompeu aos berros o discurso de Paulo:
— Isso é loucura, Paulo! Você ficou louco de tanto estudar!
Paulo lhe respondeu:
— Excelentíssimo governador Festo, eu não estou louco. Pelo contrário, tudo o que eu digo é verdadeiro e razoável. O próprio rei Herodes Agripa II, a quem estou me dirigindo com franqueza, sabe disso. Tudo o que eu lhe disse é do seu conhecimento. Nada foi feito em segredo.
Paulo dirigiu-se de novo ao rei Herodes Agripa II:
— Vossa Majestade crê no que os profetas antigos escreveram? Pergunto porque sei que acredita.
O rei Herodes Agripa II comentou:
— Mais um pouco, Paulo, e você me convenceria a me tornar cristão.
Paulo lhe respondeu:
— Oro ao Deus Eterno para que todos aqui, e não apenas Vossa Majestade, venham a se tornar cristãos, hoje ou depois. Quero que aconteça com todos vocês o que aconteceu comigo. Só não quero que venham a ser presos, como é o meu caso.
Nesse momento, o rei Herodes Agripa II, o governador Festo, Berenice e todos que os acompanhavam se levantaram para deixar o tribunal.
Quando saíram, comentaram:
— Este homem não fez nada que justifique a sua prisão ou a sua morte.
O rei Herodes Agripa II disse, dirigindo-se ao governador Festo, as seguintes palavras:
— Certamente, Paulo poderia ser solto, mas como apelou para o augusto Imperador, não podemos libertá-lo.
