Menu

Você está em:

Atos Capítulo 27

Paulo, a caminho de Roma

Atos 1-8

Tendo as autoridades tomado a decisão de nos enviar para Roma (Itália), nós nos preparamos para a viagem. (Eu, Lucas, estava também.)

Paulo e outros prisioneiros foram entregues aos cuidados do capitão Júlio, que integrava o Batalhão Imperial do Exército Romano.

Um navio com bandeira adramitina (da cidade de Adramício, Edremit, Turquia) estava no porto de Cesareia Marítima. Como a embarcação estava de partida para a costa do mar Egeu, fomos embarcados nela, em agosto de 59. Aristarco, que era da Macedônia e morava em Tessalônica, viajou conosco.

No dia seguinte, aportamos em Sidom (114 km adiante, rumo ao norte, já no Líbano).

O capitão Júlio tratou Paulo com cortesia, permitindo-lhe visitar os amigos do lugar e receber ajuda deles.

Como os ventos não eram favoráveis, reembarcamos, navegando pela costa da ilha de Chipre. Atravessamos o mar Egeu na altura da Cilícia e da Panfília. Aportamos em Mirra, na Lícia (no Sudoeste da Turquia).

No porto de Mirra, o capitão Júlio encontrou um navio cargueiro de bandeira alexandrina (no Egito), que estava de partida para Roma. Ele nos embarcou nesse navio.

A viagem foi lenta e durou muitos dias. Depois de dias difíceis, chegamos perto do porto de Cnido. Como os ventos ainda eram contrários, não pudemos prosseguir. Então, margeamos ao longo da costa de Creta, perto do cabo de Salmona. Ainda com muita dificuldade, conseguimos chegar a Bons Portos (Kaloi Limenes), perto da cidade de Laseia, ainda na ilha de Creta.

Perigo no mar

Atos 9-26

A viagem continuava perigosa.

Muito tempo tinha decorrido. Já estávamos em outubro.

Paulo, então, tomou a palavra e deu o seguinte conselho aos responsáveis pela viagem:

— Meus amigos, estou vendo que a viagem vai ser dura. Estamos todos correndo sérios riscos, não só nós, mas também a carga e o próprio navio.

O capitão Júlio continuava confiando nas palavras do proprietário do navio e dos seus pilotos. Eles eram da opinião de que não deviam permanecer em Bons Portos, que ficava perto do mar aberto. Para passarem o inverno, eles achavam que era melhor prosseguir até Fênix, um porto mais protegido dos ventos.

Pouco depois, um vento suave começou a soprar e a tripulação achou que chegariam bem a Fênix. Então, retomaram a viagem, navegando pela costa de Creta.

De repente, no entanto, o tempo mudou completamente. Um ciclone, vindo do nordeste, soprou violentamente contra a embarcação. Todos ajudamos, mas os tripulantes perderam o controle do navio, que acabou arrastado pela tempestade, sem que nada pudesse ser feito.

Foi assim que chegamos a uma ilhazinha de nome Cauda (Gavdos), onde, com muita dificuldade, conseguimos pegar o bote salva-vidas, que ia a reboque.

Usando o bote, os marinheiros tentaram reforçar o navio, amarrando cordas de segurança no casco. Para evitar que o navio fosse em direção à costa africana e encalhasse nos bancos de areia de Sirte (Líbia), eles baixaram as velas, para que o navio diminuísse a velocidade.

Como a tempestade não parou de açoitar a embarcação, os oficiais decidiram jogar a carga no mar.

Depois de três dias, nós, os passageiros, ajudamos na tarefa de lançar ao mar alguns equipamentos.

Ninguém esperava que houvesse alguma possibilidade de a viagem prosseguir em segurança, porque a tempestade se prolongava. Havia dias que chovia sem parar, sem trégua.

Como estávamos sem comer havia muito tempo, Paulo ficou em pé no meio do navio e disse:

  • "Meus amigos:

  • Vocês não me ouviram quando disse que não devíamos partir em direção a Creta. O prejuízo foi grande!

  • Agora, vocês precisam de coragem. Ninguém vai morrer, mas o prejuízo material será imenso.

  • Digo isso porque, na noite passada, o Deus Eterno, a quem amo, veio ao meu encontro por meio de um anjo, que me disse:

  • — Paulo, não tenha medo! Você precisa chegar a Roma para que seja julgado pelo Imperador. O Deus Eterno preservará a sua vida. Por sua causa, Ele preservará também as vidas de todos os passageiros e tripulantes.

  • Eu confio no Deus Eterno e tudo acontecerá como me foi dito (por intermédio do anjo). Para que isso dê certo, precisamos ser arrastados para alguma ilha".

Oração de gratidão durante a tempestade

Atos 27-44

Durante 14 noites, fomos sacudidos de um lado para outro nas águas da parte central do mar Mediterrâneo.

Por volta da meia-noite do décimo quarto dia da viagem, os tripulantes pressentiram que estávamos perto de alguma porção de terra. Por isso, lançaram a sonda e perceberam que a profundidade era de 36 m. Esperaram mais um pouco e mediram de novo; a profundidade agora era menor (27 m).

Eles ficaram com medo porque o navio podia bater contra as pedras. Por isso, foram para a parte traseira, lançaram quatro âncoras e ficaram torcendo para que amanhecesse.

Nesse momento, os marinheiros tentaram fugir do navio. Para disfarçar, desceram o bote salva-vidas, alegando que iam lançar âncoras na proa (isto é, na frente do navio). Paulo percebeu e advertiu o capitão e os soldados a bordo:

— Se os marinheiros fugirem, vocês não se salvarão.

Imediatamente, os soldados cortaram os cabos do bote, para que não pudessem ser alcançados pelos marinheiros.

Perto de amanhecer, Paulo tomou de novo a palavra e disse:

  • "Amigos:

  • Nossa espera pela calmaria já dura duas semanas e, nesse período, vocês não comeram nada, absolutamente nada. Peço a vocês que comam, para que sobrevivam. Fiquem tranquilos.

  • Nada de ruim vai lhes acontecer".

Em seguida, Paulo pegou um pão, fez uma oração de gratidão ao Deus Eterno, partiu o pão e comeu.

Todos ficaram animados e começaram a comer também.

Éramos 276 pessoas a bordo.

Fortalecidos por terem comido, os tripulantes jogaram o trigo no mar, para deixar o navio mais leve.

Quando amanheceu, os tripulantes não viram nenhuma terra firme, mas avistaram uma praia numa enseada. Após uma discussão entre si, os tripulantes decidiram atracar o navio naquela praia. Depois, cortaram os cabos das âncoras, deixando-as no mar. Em seguida, cortaram as cordas que tinham sido amarradas ao leme. Por último, levantaram as velas da proa. Só, então, guiaram o navio na direção da praia.

O navio chegou a um ponto em que havia um banco de areia e encalhou. A proa ficou firme, mas a traseira se despedaçou completamente com a força das ondas.

Desesperados com as possíveis fugas dos prisioneiros, pelas quais pagariam com as próprias vidas, os soldados decidiram matá-los. O capitão Júlio, porém, queria deixar Paulo vivo; por isso, ele proibiu os soldados de fazerem o que planejavam.

Por sua determinação, os que sabiam nadar pularam primeiro e nadaram até a praia. Os demais usaram tábuas e destroços da embarcação para alcançar a terra.

Graças a essa providência, todos se salvaram.