O DIÁLOGO COM A MULHER SAMARITANA
Samaria
João 1-42
“Jesus não gostava nem da controvérsia nem da fama”
(João 4.1-4)
Depois de algum tempo na Judeia, no Sul de Israel, a região de Jerusalém, Jesus decidiu retornar para a Galileia, no Norte. Ele estava ficando famoso entre os fariseus, incomodados com a sua mensagem.
Até os seguidores de João Batista estavam incomodados, porque muita gente entendia a mensagem que Jesus pregava e se apresentava para ser batizada por seus companheiros. (Jesus mesmo não batizava.)
Jesus não gostava nem da controvérsia nem da fama.
Para voltar para casa, Jesus tinha que passar pela região da Samaria, bem no meio da estrada que ligava a Judeia à Galileia. Se seguisse por outra rota, teria que andar o dobro. Assim mesmo, a maioria dos judeus preferia o percurso mais longo, por considerar que os samaritanos não seguiam corretamente os ensinos de Moisés.
Por isso, os judeus odiavam os samaritanos.
“Uma fonte permanente que jorra eternamente”
(João 4.5-15)
Jesus e sua comitiva chegaram a Sicar (onde depois seria fundada Nablus), uma das cidades da Samaria, perto do antigo poço de Jacó, onde, no passado, moraram os descendentes de Efraim e Manassés, filhos de José e netos de Jacó.
Como se aproximava a hora do almoço, os companheiros de Jesus saíram para comprar comida. Cansado, ele preferiu fi car junto ao poço. Ali uma mulher que viera buscar água o encontrou. Vendo-a, Jesus lhe pediu:
— Por favor, dê-me um pouco de água.
Surpresa, a mulher lhe fez uma pergunta:
— Pela sua roupa e pelo seu sotaque, vejo que você é judeu; então, diga-me uma coisa: como você pede água para uma mulher como eu, que sou da Samaria que vocês tanto odeiam?
Tal como acontecera com Nicodemos, a samaritana não entendeu a resposta de Jesus quando disse:
“Se você conhecesse a vontade do Deus Eterno e soubesse com quem está agora conversando, certamente você pediria água e receberia a água da vida”.
Ainda sem entender, a samaritana argumentou:
— Acontece que você não tem balde e o poço é fundo. Como vai pegar dessa água da vida para mim? Parece que você se acha mais poderoso que Jacó, nosso patriarca. Foi ele que cavou este poço e dele bebeu. Seus filhos e seus animais também beberam água deste poço.
Jesus respondeu:
“O problema é que quem bebe da água deste poço volta a ter sede logo depois, mas quem beber da água que ofereço nunca mais voltará a ter sede. Sabe por quê? É porque a água que eu dou se torna uma fonte de vida permanente, que jorra sem parar, eternamente”.
Imediatamente, a samaritana pediu:
— Se é assim, eu quero dessa sua água. Não quero sentir mais sede. Não quero ter que voltar aqui todo dia para pegar água.
“Não importa onde uma pessoa adora, mas como adora”
(João 4.16-26)
Nesse ponto, Jesus mudou o tom da conversa e fez um pedido à mulher:
— Por favor, vá se encontrar com seu marido. Traga-o aqui.
A resposta veio de imediato:
— Eu não tenho marido.
Jesus respondeu:
— É verdade! Você já teve cinco maridos e esse com quem vive não é seu marido.
Impressionada, a samaritana exclamou:
— Você é um profeta!
Em seguida, acrescentou:
— Você é um profeta, mas um profeta judeu. Acontece que nossos ancestrais adoravam o Deus Eterno na Samaria, no antigo Templo sobre o monte Gerizim, aqui perto, mas vocês, judeus, continuam dizendo que todos têm que ir ao monte Sião para o adorar em Jerusalém.
Jesus respondeu:
“Eu garanto que, daqui a algum tempo, vai ficar claro que não importa onde uma pessoa adora o Deus Eterno, mas como ela o adora.
Vocês não adorarão o Pai Eterno no Templo de Gerizim, nem nós em Jerusalém. Chegou o tempo da verdadeira adoração, aquela que é feita com o coração sincero e puro. Isso vale para os judeus, por intermédio de quem a salvação veio, vale para os samaritanos e vale para todos os que amam o Pai Eterno.
É assim que Ele quer ser adorado. Ele é Espírito e deve ser adorado de um modo espiritual e profundo”.
Então, a mulher respondeu:
— Sim, eu sei que será assim quando o Cristo chegar. Ele vai nos explicar tudo isso.
Então, Jesus declarou:
“Olhe bem para mim: eu sou o Cristo sobre quem você está falando”.
“A samaritana deixou seu jarro junto ao poço”
(João 4.27-30)
“Olhe bem para mim: eu sou o Cristo sobre quem você está falando”.Nesse instante, os companheiros de Jesus chegaram e ficaram espantados por vê-lo conversando com uma mulher, situação que não era bem-vista naquela época. Contudo, ninguém ousou fazer algum comentário ou fazer qualquer pergunta.
Logo em seguida, a samaritana deixou seu jarro junto ao poço e voltou para a cidade. Lá, encontrando-se com alguns amigos, convidou-os para a acompanharem até o local onde conversara com Jesus.
Ela lhes disse:
— Sigam-me e vocês conhecerão um homem que, sem me conhecer, sabe tudo a meu respeito. Eu acho que ele é o Cristo.
Muitos a acompanharam.
“A minha comida é fazer a vontade do Pai Eterno”
(João 4.31-38)
Enquanto isso, junto ao poço, os companheiros de Jesus insistiam com ele:
— Mestre, por favor, coma!
O mestre respondeu:
— O alimento que desejo comer é de outro tipo e vocês não o conhecem.
Eles não entenderam e passaram a comentar uns com os outros:
os outros: — Será que alguém trouxe alguma comida para ele?
Ele, então, explicou:
“Ouçam bem: a minha comida é fazer a vontade do Pai Eterno que me enviou. Eu faço o que Ele me mandou fazer.
Todos esperam a colheita no campo daqui a quatro meses, mas eu peço para olharem em volta e verem que há frutos prontos para serem colhidos. Quem participa dessa colheita se alegra desde agora e também na vida eterna. Há alegria em plantar e há alegria em colher. É verdade que uns plantam e outros colhem. Este é o caso agora, porque vocês estão colhendo numa terra que não prepararam e não plantaram. Está na hora da colheita. Fiquem prontos”.
“Ele é realmente o Salvador do mundo”
(João 4.39-42)
Então, chegaram ao poço muitos samaritanos vindos de Sicar. Eles tinham ouvido falar de Jesus pelas palavras da mulher que ficara encantada por ele saber tudo a respeito dela. Os samaritanos a ouviram e creram em Jesus.
Quando se encontraram com o mestre, pediram para que não fosse logo embora, mas ficasse com eles na cidade. Jesus aceitou o convite e ficou dois dias com eles. Muitos outros samaritanos o ouviram e creram nele.
Quando encontravam a mulher que os levara a Jesus, comentavam com ela:
— Sabia que não é mais por causa do que você falou sobre Jesus que nós cremos? Nós mesmos ouvimos, vimos e agora sabemos que ele é realmente o Salvador do mundo.
QUANDO CHEGOU À GALILEIA, JESUS FOI MUITO BEM RECEBIDO
Galileia
João 43-45
Depois de ter se hospedado em Sicar, Jesus continuou a sua viagem para a Galileia.
Como ele vivia na Galileia, o normal seria que fosse rejeitado quando lá chegasse, porque as pessoas preferem valorizar quem é de fora. No entanto, quando chegou, foi muito bem recebido.
Já estavam lá alguns galileus que foram à Festa da Páscoa em Jerusalém, onde Jesus também estivera. Eles contaram o que Jesus fizera em Jerusalém (durante a Páscoa).
SEU FILHO VAI VIVER
João 46-54)
Então, estando na Galileia, Jesus se dirigiu a Caná, a cidade onde tinha feito o seu primeiro milagre, ao transformar água em vinho.
Nessa cidade, alguém o procurou. Era um funcionário do palácio de Herodes Antipas. Morava em Cafarnaum, distante poucas horas de viagem de Caná, e viera buscar ajuda para o filho que estava gravemente enfermo.
Jesus o recebeu e perguntou, para que todos pudessem ouvir:
— Até quando vocês precisarão ver milagres para crer em mim?
O homem insistiu:
— Mestre, meu filho está à beira da morte. Venha logo nos socorrer!
Jesus lhe deu a seguinte orientação:
— Volte para Cafarnaum. Seu filho vai viver.
O funcionário creu na palavra de Jesus e no dia seguinte retornou. Estando ainda a caminho, seus empregados vieram ao seu encontro e lhe contaram que o seu filho tinha se recuperado.
O pai do rapaz perguntou a que horas seu filho começara a melhorar. Eles informaram:
— Foi ontem, à 1 hora da tarde, que a febre o deixou.
O homem se lembrou que Jesus dissera exatamente à 1 hora da tarde que o seu filho iria ficar bom. Ele creu, então, em Jesus. Seus parentes também creram.
A cura do rapaz foi o segundo milagre que Jesus fez. O primeiro acontecera em Caná, antes de ter viajado a Jerusalém.
