A CURA DE UM CEGO DE NASCENÇA EM JERUSALÉM
João 1-41
“Todos verão agora o poder do Deus Eterno em ação”
(João 9.1-5)
Num dia em que caminhava pelas ruas de Jerusalém, Jesus viu um cego de nascença pedindo esmolas.
Como estavam com Jesus, seus companheiros logo perguntaram:
— Mestre, esclareça-nos uma coisa: sabemos que este homem nasceu cego e que toda a doença é um castigo pelo pecado cometido. Então, foi ele que pecou, quando estava no ventre de sua mãe, ou ele agora está pagando pelos pecados dos seus antepassados?
Jesus respondeu:
“Nem uma coisa nem outra! Nem ele nem seus pais pecaram para que ele ficasse cego. Precisamos pensar de outro modo. Estamos agora diante da oportunidade de mostrar o que o Deus Eterno faz. Eu fui enviado ao mundo para ser a luz do mundo e todos verão agora o poder do Deus Eterno em ação”.
“O cego lavou o rosto e passou a ver”
(João 9.6-7)
Ditas essas palavras, Jesus se aproximou do cego e cuspiu na terra; com a saliva, fez lama. Depois, pegou a lama, passou nos olhos do cego e ordenou:
— Vá até o tanque de Siloé e lave o seu rosto.
(A propósito, o nome desse tanque — Siloé — significa “Enviado”, como Jesus, que foi enviado pelo Deus Eterno.)
O cego foi até lá, lavou o rosto e passou a ver.
“O nome dele é Jesus”
(João 9.8-12)
A notícia logo se espalhou.
No dia seguinte, os vizinhos, que sempre viam o cego pedindo esmolas, estranharam o que tinha acontecido. Admirados, começaram a comentar uns com os outros:
— Opa! Este homem não é aquele mendigo que ficava sentado na calçada?
Todos tinham suas opiniões.
Um deles confirmou:
— Com certeza, é o mesmo homem!
Outro complementou:
— Se não é ele, parece muito com ele.
O ex-cego repetia:
— Sim, sou eu!
Então, um terceiro morador lhe perguntou:
— Se você é o cego que pedia esmolas, como foi que agora você está enxergando?
Ele respondeu:
— Aconteceu o seguinte: um homem cuspiu no chão, fez uma lama com a sua saliva, passou nos meus olhos e me disse: “Vá até o tanque de Siloé e lave o seu rosto”. Eu fui, me lavei e agora estou enxergando.
Um quarto morador o pressionou:
— Quem foi o homem?
Ele respondeu:
— O nome dele é Jesus.
Alguém, que ainda não tinha perguntado nada, quis saber:
— E onde esse Jesus está agora?
Ele respondeu:
— Vocês agora me apertaram, porque eu não sei.
“Ele era completamente cego, mas Jesus o curou”
(João 9.13-17)
Alguns moradores pegaram o ex-cego e o levaram aos fariseus, com a seguinte informação:
— Este mendigo era completamente cego, mas um homem chamado Jesus o curou ontem, sábado.
Os fariseus pediram para que o mendigo confirmasse a história. Ele confirmou:
— Ele passou lama nos meus olhos, eu me lavei e agora enxergo.
Os fariseus ficaram confusos por um breve momento, até que um deles resolveu recriminar Jesus:
— Esse Jesus não é um homem de Deus! Se fosse, ele guardaria o sábado.
Outro ponderou:
— Temos um problema: como um pecador, que desrespeita o sábado, pode fazer um milagre tão grande?
Tentando resolver a questão, um dos fariseus perguntou ao ex-cego:
— E você: qual a sua opinião a respeito desse homem que o curou?
Ele foi firme em sua resposta:
— Para mim, ele é um profeta!
“Se nasceu cego, como é que agora ele enxerga?”
(João 9.18-23)
Assim mesmo, os fariseus passaram a duvidar que a cura tinha acontecido.
Por esse motivo, foram procurar os pais do ex-cego. Quando chegaram à casa deles, questionaram o casal.
— Estamos aqui com o filho de vocês. Digam-nos: ele realmente nasceu cego? Se nasceu, como é que agora ele enxerga?
O pai tomou a palavra:
— Temos certeza que ele é o nosso filho e temos certeza que nasceu cego.
A mãe complementou:
— Nós não sabemos quem o curou.
O pai sugeriu:
— Mas há um jeito de vocês saberem. Perguntem a ele. Nosso filho tem idade suficiente para responder.
(Na verdade, os pais deram essa resposta porque estavam com medo dos fariseus, que tinham ameaçado de excomunhão quem admitisse que Jesus era o Cristo. Foi por isso que sugeriram que perguntassem diretamente ao rapaz.)
“Eu era cego e agora enxergo”
(João 9.24-34)
Os fariseus voltaram a interrogar o ex-cego.
Um deles foi bem incisivo:
— Jure falar a verdade em nome do Deus Eterno. Não se deixe enganar por Jesus; ele é um pecador.
O ex-cego respondeu:
— Se ele é pecador, isso eu não sei. O que eu sei é que eu era cego e agora enxergo.
Um dos fariseus insistiu com ele:
— Como foi que ele fez? O que aconteceu exatamente?
O ex-cego, já um pouco irritado, respondeu:
— Eu já disse! Vocês não querem ouvir! Por que perguntam sempre a mesma coisa?
Depois de uma pausa, ele ironizou:
— Parece que vocês querem se tornar seguidores dele.
Os fariseus ficaram furiosos:
— Está ficando doido! Pare com essa bobagem! Você é que se tornou um seguidor dele. Nós continuamos fiéis a Moisés. Temos certeza que a autoridade de Moisés vem do Deus Eterno, mas, quanto a esse Jesus, não temos a menor ideia de onde ele vem.
O ex-cego respondeu:
— Isso aí é um problema de vocês. Para mim, o que importa é que ele me curou e agora vejo.
Depois acrescentou:
— Vocês sabem que o Deus Eterno não ouve as orações dos pecadores. Aprendemos há muito tempo que o Deus Eterno só atende aos pedidos daqueles que conhecem e praticam a vontade dele.
Antes que fosse interrompido, o ex-cego continuou:
— Não há em nossa história um caso sequer de algum cego de nascença que tenha passado a ver, como aconteceu comigo. Se esse Jesus não fosse um homem de Deus, não poderia ter me curado. Para mim, é tudo muito simples.
Eles ficaram ainda mais furiosos:
— Agora, você quer nos ensinar? Sem comentários! Está evidente que você nasceu cego por ser um imundo pecador. Fora daqui, já!
E o expulsaram dali.
“Eu creio que tu és o Cristo!”
(João 9.35-38)
Contaram a Jesus que os fariseus tinham excomungado o ex-cego.
Algum tempo depois, o mestre o encontrou na rua e lhe perguntou:
— Você crê na promessa do Deus Eterno, de enviar o seu Filho ao mundo? Pois saiba que essa promessa já se realizou!
O ex-cego respondeu:
— É claro que creio! O Cristo já veio? Mostre-me, que eu quero conhecê-lo.
Jesus esclareceu:
— Sim, ele veio. Sou eu! Sim, sou eu!
Imediatamente, o ex-cego afirmou:
— Eu creio! Eu creio que tu és o Cristo!
Em seguida, inclinou-se diante de Jesus, num gesto de gratidão.
“Eu faço com que os cegos vejam”
(João 9.39-41)
Diante das pessoas que ouviram sua conversa com o ex-cego, Jesus disse:
“Saibam que eu vim a este mundo para mostrar a verdade às pessoas. Eu faço com que os cegos vejam e faço com que os que acham que veem percebam a sua própria cegueira”.
Os fariseus que estavam por perto ficaram indignados. Um logo demonstrou a sua irritação:
— O que é isso? Você está dizendo que nós somos cegos?
Jesus respondeu:
“Se vocês admitissem que estão espiritualmente cegos, confessariam os seus pecados. Como se recusam a crer em mim como o Filho de Deus, vocês continuam escravos do pecado”.
