A ESPERA PELO JULGAMENTO DIANTE DAS AUTORIDADES ROMANAS
Jerusalém, sexta-feira, 3 de abril de 33
Lucas 1
Na sexta-feira, concluída a reunião do Sinédrio, os guardas do sumo sacerdote levaram Jesus à residência oficial de Pôncio Pilatos, o governador da Judeia e que tinha jurisdição sobre Jerusalém. Ali Jesus ficou até ser julgado.
O JULGAMENTO POR PILATOS E HERODES ANTIPAS
Lucas 2-12
Diante de Pilatos, os representantes das autoridades judaicas acusaram Jesus.
Um deles disse:
— Descobrimos que esse homem, que está diante de Sua Excelência, anda incitando à rebeldia a nossa nação.
Outro falou também:
— Esse homem, veja só, tem ensinado que não devemos pagar o imposto devido ao Imperador.
Alguém entre eles acrescentou:
— Como se não bastasse, ele ainda afirma ser o Cristo, o Salvador de Israel.
Pilatos os interrompeu e perguntou diretamente a Jesus:
— Você é o rei dos judeus?
Jesus respondeu:
— Essas palavras são tuas, não minhas.
Pilatos olhou para as autoridades religiosas ali presentes e para a multidão do lado de fora:
— Para mim, este homem não é um criminoso.
Os dirigentes religiosos, no entanto, repetiam:
— Desculpe, Excelência, mas ele está agitando o povo. Ele começou ensinando na Galileia, mas agora tem feito a mesma coisa aqui, na Judeia.
Pilatos perguntou:
— Vocês estão dizendo que o acusado é da Galileia?
Um acusador respondeu:
— Sim, ele é da Galileia, mas Herodes Antipas, que lá governa, está aqui por causa da Páscoa. Podemos logo resolver este problema.
Pilatos, então, determinou que Jesus fosse levado à presença de Herodes Antipas.
Pouco tempo depois, quando o notou, Herodes Antipas ficou feliz, porque há muito tempo queria ver Jesus, dado o que ouvira sobre os milagres na Galileia e queria presenciar um milagre também.
Herodes Antipas fez inúmeras perguntas no seu interrogatório, mas Jesus não respondeu a nenhuma de suas questões. Os dirigentes religiosos repetiam as mesmas acusações de blasfêmia e insurreição.
Como Jesus o ignorou, Herodes Antipas o tratou com desdém. Os soldados a seu serviço debochavam de Jesus.
Por pura diversão, Herodes Antipas mandou que Jesus fosse vestido com um manto luxuoso, como se fosse um rei ridículo.
Em seguida, mandou Jesus de volta para Pilatos.
Os dois governantes, que eram inimigos, acabaram se reconciliando naquele dia.
A CONDENAÇÃO À MORTE
Lucas 13-25
Pilatos convocou uma reunião com as autoridades, entre elas os principais sacerdotes, diante do povo.
Em seguida, disse:
— Vocês me trouxeram este cidadão, acusando-o de agitar o povo contra o Imperador. Eu o interroguei. Vocês foram testemunhas do interrogatório. Eu não o condeno, porque não descobri qualquer evidência de que tenha cometido os crimes que vocês lhe atribuem. O próprio Herodes Antipas também não encontrou nenhum crime nele, tanto que o mandou de volta para cá. Ele nada fez para ser condenado à morte. Eu o condeno apenas a levar uma surra. Depois, será solto.
Pilatos sabia que, por ocasião da Páscoa, ele tinha que indultar um presidiário. No entanto, do lado de fora, grupos gritavam:
— Condene Jesus! Solte Barrabás! É isso o que nós queremos!
Barrabás tinha sido condenado por dois crimes: ter provocado arruaça na cidade e ter assassinado uma pessoa.
Pilatos queria soltar Jesus; não Barrabás. Por isso, tentou convencer a multidão, que berrava.
Um grupo bradava contra Jesus:
— Queremos que Jesus seja crucificado!
Outro, aos gritos complementava:
— Crucifique-o!
Pilatos tentou mudar a opinião dessas pessoas:
— Que mal este homem fez? Eu procurei e não vejo razão para condená-lo à morte. Vou mandar dar uma surra nele e libertá-lo.
As pessoas continuavam gritando raivosamente para que Jesus fosse crucificado.
Prevaleceu o clamor popular.
Pilatos cedeu e soltou Barrabás, preso por ter provocado arruaça na cidade e por ter matado uma pessoa. Era o que a multidão pedia. Pilatos atendeu.
A SUBIDA PARA O LUGAR DA EXECUÇÃO
Lucas 26-32
A caminho do local da crucificação, pegaram um homem natural da Cirene (perto de onde se localizaria mais tarde a cidade de Xaate, na Líbia) e o recrutaram para carregar a barra superior da cruz de Jesus. Ele estava chegando do interior. Seu nome era Simão.
Muita gente seguia Jesus, inclusive algumas mulheres que lamentavam e choravam ao ver o seu sofrimento.
Jesus olhou para elas e lhes disse:
“Mulheres de Jerusalém, não chorem por mim. Chorem por vocês mesmas e por seus filhos. A destruição da cidade se aproxima. Virão dias em que as mulheres estéreis serão felizes, porque não geraram nem amamentaram. Como está nas Escrituras, virão dias em que as pessoas pedirão para que as montanhas caiam sobre elas, como lemos em Oseias 10.8. Se eu, que não pequei, estou sofrendo assim, imaginem o que acontecerá com Jerusalém”.
Com Jesus, dois outros homens também foram postos para serem executados. Eles tinham sido condenados como criminosos.
A CRUCIFICAÇÃO
Lucas 33-43
Quando chegaram ao lugar das execuções, numa colina fora da cidade, conhecida como “Caveira” (“Gólgota”, em aramaico; “Calvário”, em latim), Jesus foi crucificado. Os dois condenados estavam pregados nas cruzes, uma ao lado direito e outra ao lado esquerdo de Jesus.
Na cruz, Jesus orou:
— Meu Pai Eterno, perdoa aos que me fazem mal. Eles não sabem o que estão fazendo.
Depois, seus algozes pegaram as roupas de Jesus e fizeram um sorteio para distribuí-las entre os soldados.
O povo presente observava tudo. Alguns debochavam de Jesus. As autoridades também zombavam. Os comentários eram como estes:
— E aí, camarada! Você libertou tanta gente. Chegou a hora de se soltar por si mesmo. Se você é mesmo o Cristo, desça daí.
Os soldados também debochavam dele. Como tinham acesso à cruz, deram-lhe vinagre. Eles diziam:
— Você não é o rei dos judeus? Então, saia desta cruz agora.
Sobre a cabeça de Jesus havia uma placa com a seguinte inscrição:
“Eis aqui o rei dos judeus”.
Um dos crucificados também debochava de Jesus:
— Você não é o Cristo? Livre-se da cruz e nos livre também!
O outro crucificado repreendeu o colega:
— O que é isso, rapaz? Leve pelo menos o Deus Eterno a sério. Somos todos condenados, mas a nossa pena é justa. Merecemos morrer pelo que fizemos, mas ele não fez nenhum mal a ninguém.
Depois, esse mesmo condenado se virou para Jesus e lhe solicitou:
— Peço-te para nunca te esqueceres de mim. Lembra-te de mim quando chegares ao céu.
Jesus logo respondeu:
— Com toda a certeza, hoje mesmo estaremos juntos no paraíso.
A MORTE
Lucas 44-49
Perto do meio-dia daquela sexta-feira, o céu se escureceu e houve trevas até às 3h da tarde.
Nesse momento, o véu do santuário, que ficava no Templo de Jerusalém, se rasgou de alto a baixo.
Nesse mesmo momento, Jesus orou, em voz bem alta:
— Meu Pai Eterno, a minha vida está em tuas mãos.
Depois de dizer essas palavras, Jesus morreu.
O capitão romano, chefe dos guardas ali presentes, vendo o que tinha acontecido, exaltou a Deus, com as seguintes palavras:
— É. De fato, este homem era justo!
Diante do grande espetáculo que presenciaram, as pessoas se retiraram, entristecidas.
Quanto aos seguidores de Jesus, homens e mulheres que tinham vindo da Galileia, também viram tudo, só que de longe, porque estavam com medo.
O SEPULTAMENTO
Lucas 50-56a
Nesse momento entra na história um homem chamado José. Ele era natural de Arimateia, localizada a 35 km de Jerusalém, cria no Evangelho da Graça de Deus e era membro do Sinédrio. José era um cidadão correto e generoso. Ele não concordou com as ações dos seus colegas no tribunal.
Tendo Jesus morrido, José de Arimateia procurou Pilatos e pediu que lhe entregasse o corpo de Jesus. Pilatos atendeu o seu pedido.
José de Arimateia foi até o Calvário, retirou da cruz o corpo de Jesus, enrolou-o num lençol de linho e o sepultou num túmulo novo escavado numa rocha.
Era de tarde na sexta-feira. Dali a pouco, quando o sol se pusesse, o sábado começaria, segundo o calendário judaico. As colaboradoras de Jesus, que vieram com ele desde a Galileia, tinham acompanhado José de Arimateia e sabiam onde o corpo fora colocado.
Então, elas voltaram para onde estavam hospedadas, a fim de preparar os perfumes e os cremes que pretendiam passar no corpo de Jesus.
O DESCANSO
Jerusalém, sábado, 4 de abril de 33
Lucas 23.56b
Chegando o sábado, como estabelece um dos Dez Mandamentos, elas descansaram.
