O PLANEJAMENTO DA MORTE DO CRISTO (primeira parte)
Jerusalém, quarta-feira, 1° de abril de 33
Marcos 1-2
Era quarta-feira e dois dias depois aconteceria a Páscoa, que era celebrada junto à Festa dos Pães Sem Fermento.
Em Jerusalém, os sacerdotes mais importantes e os teólogos já buscavam um modo de prender Jesus em segredo para o matar. Não poderia ser durante a celebração da Páscoa, para que o povo não se revoltasse.
A HOMENAGEM DE UMA MULHER
Marcos 3-9
Antes disso, em Betânia do Oeste, houve um jantar especial na casa de Simão, que no passado sofrera de uma severa enfermidade na pele.
Quando estavam à mesa, apareceu uma mulher, com um jarro caro, feito de cerâmica de alabastro e cheio de um perfume importado. Ela derramou todo o conteúdo do jarro sobre a cabeça de Jesus.
Alguns ficaram indignados. Um deles deu a sua opinião:
— Para que tanto desperdício?
Outro complementou:
— Se esse perfume tivesse sido vendido, o dinheiro arrecadado daria para alimentar muitos pobres.
Outro complementou:
Jesus os repreendeu:
Outro complementou:
— Parem de criticar a mulher. Ela fez isso para o meu bem. Não usem os pobres como desculpas. Vocês poderão cuidar deles em outras oportunidades. Esse foi um momento especial para mim, porque estou prestes a partir. Aproveitem este tempo comigo. Quanto a esta mulher, ela nunca será esquecida. Onde o Evangelho chegar, chegará também a notícia do que ela acabou de fazer.
Outro complementou:
O PLANEJAMENTO DA MORTE DO CRISTO (segunda parte)
Marcos 10-11
Também por esses dias, um de seus apóstolos, Judas Iscariotes, procurou os sacerdotes mais importantes com o objetivo de trair Jesus.
Eles gostaram da ideia e prometeram que pagariam por isso.
A partir de então, Judas passou a procurar uma oportunidade para entregar Jesus aos dirigentes religiosos de Jerusalém.
A PREPARAÇÃO PARA A PÁSCOA
Marcos 12-16
A quarta-feira era o dia em que se comia o cordeiro da Páscoa.
Nessa noite, começava a celebração da Festa dos Pães Sem Fermento. Por isso, os apóstolos de Jesus lhe perguntaram:
— Mestre, onde irás comer a Páscoa? Diga-nos, por favor, para que a preparemos.
Jesus os orientou como deveriam proceder:
— Entrem em Jerusalém. Quando chegarem, vocês verão um morador carregando um jarro de água. Sigam esse homem. Quando ele entrar em casa, apresentem-se ao dono e digam: “o mestre nos mandou te perguntar o seguinte: onde fica a sala reservada que vou usar para comer a Páscoa com meus apóstolos?” Como resposta, ele mostrará um salão amplo e mobiliado no segundo andar. Entrem e preparem tudo.
Os apóstolos foram à cidade. Tudo aconteceu como Jesus tinha dito. Então, prepararam a Páscoa.
ANTES DA ÚLTIMA PÁSCOA
Marcos 17-21
Naquele mesmo dia, no final da tarde, Jesus chegou com os 12 apóstolos ao local da celebração.
Estavam todos à mesa, quando Jesus afirmou:
— Tenho algo para lhes dizer: um de vocês me trairá.
Os apóstolos ficaram muito tristes com aquela informação. Um a um, perguntaram:
— Serei eu, mestre?
Jesus respondeu:
— O traidor está aqui agora, compartilhando comigo o mesmo prato, como se fosse realmente meu amigo, como foi anunciado no Salmo 41.9. Tudo o que foi profetizado a meu respeito acontecerá. Serei traído, mas lamento muito pela vida daquele que me trairá. Seria melhor que não tivesse nascido.
A ÚLTIMA PÁSCOA E A PRIMEIRA CEIA
Marcos 22-26
A celebração da Páscoa continuou.
Jesus pegou um pão e orou ao Pai Eterno. Depois, partiu o pão em vários pedaços, que foram entregues a cada um dos seus apóstolos. Quando todos pegaram as suas partes, Jesus disse:
— Comam esse pão! É como se fosse o meu corpo.
Em seguida, Jesus pegou o vinho, agradeceu ao Pai Eterno e passou o copo para que cada um bebesse um gole. Antes, porém, que bebessem, Jesus disse:
— Bebam! Bebam como se fosse o meu sangue, o sangue de um novo Pacto, que é celebrado para que os que creem em mim tenham os seus pecados perdoados.
Eles beberam.
Jesus completou:
— Saibam que, a partir de agora, nunca mais beberei vinho. Só beberei quando nos encontrarmos no céu, na casa do nosso Pai Eterno. Terminada a celebração, cantaram um hino e saíram em direção ao monte das Oliveiras.
O AVISO A PEDRO
Jerusalém, quinta-feira, 2 de abril de 33
Marcos 27-31
Chegando ao monte das Oliveiras, na madrugada de quarta para quinta-feira, Jesus disse o seguinte aos apóstolos:
— Esta vai ser uma noite difícil para todos. Lembrem-se da profecia:
“Fira o pastor de ovelhas e o rebanho será disperso”.
Saibam, no entanto, que, depois da minha ressurreição, irei para a Galileia, onde me encontrarão.
Pedro pediu a palavra:
— Mestre, mesmo que todos desistam e fujam, estarei integralmente ao teu lado.
Jesus respondeu:
— Pedro, Pedro, não é isso o que vai acontecer. Hoje mesmo, antes que o galo da madrugada cante pela segunda vez, você negará três vezes que me conhece.
Pedro insistiu:
— Nada disso, mestre! Se for preciso morrer contigo, morrerei. Jamais te negarei!
Um a um, os apóstolos repetiram a mesma promessa feita por Pedro.
A ORAÇÃO DO JARDIM DO GETSÊMANI
Marcos 32-42
Estando no monte das Oliveiras, Jesus os levou, ainda na madrugada da quinta-feira, a um jardim conhecido como Getsêmani (“prensa de azeite”, em aramaico).
Quando chegaram lá, Jesus lhes pediu:
— Sentem-se aqui. Vou orar ali, mais adiante.
Jesus levou em sua companhia Pedro, Tiago e João.
Enquanto orava, ele ficou muito triste e angustiado.
Antes de se afastar, Jesus lhes confidenciou:
— Estou profundamente triste. Estou transtornado. Preciso que fiquem aqui e orem por mim.
Então, caminhou um pouco mais, sozinho, ajoelhou-se e orou para que, se possível, fosse poupado do sofrimento.
Ele orava assim:
— Meu Pai Eterno, eu te peço que, se for possível, livra-me da morte. Se não for possível, eu me rendo, porque eu quero o que tu queres.
Quando voltou do lugar em que orava, Jesus encontrou os seus três apóstolos dormindo. Ele se dirigiu a Pedro:
— Que tristeza, Pedro! Você não conseguiu orar por mim nem por uma hora?
Ele continuou, agora, falando a todos:
“Para que não pequem, vocês precisam orar com toda a dedicação. Não basta ter o desejo de não pecar; vocês precisam orar, porque são fracos”.
Em seguida, Jesus deixou por um pouco os apóstolos para orar sozinho. Ele disse as mesmas palavras.
Quando retornou, os apóstolos estavam dormindo, de novo, porque o sono era intenso. Tão sonolentos estavam que nem desculpas pediram.
Jesus os deixou, pela terceira vez, para orar, dizendo sempre as mesmas coisas.
Ao retornar, disse aos apóstolos:
— Não tem jeito! Vocês continuam dormindo e descansando? Vamos embora daqui! Chegou a hora. O traidor está chegando.
A PRISÃO
Marcos 43-50
Jesus ainda estava conversando com eles quando o apóstolo Judas Iscariotes chegou, acompanhado por uma delegação enorme de homens armados com espadas e cassetetes.
Esses homens, policiais a serviço dos dirigentes religiosos de Israel, sabiam a senha que tinha sido previamente combinada por Judas Iscariotes para o momento do ataque. Era a seguinte: “Vou dar um beijo em nosso alvo. Quando eu o beijar, prendam-no”.
Judas Iscariotes aproximou-se de Jesus e o cumprimentou:
— Shalom, rabi!
(Saudação hebraica que significa “Paz, meu mestre”.)
E, imediatamente, o beijou.
Nesse momento, os homens agarraram Jesus e o prenderam. Instintivamente um dos apóstolos pegou uma espada e atacou um desses policiais, cortando a orelha dele.
Jesus disse aos seus perseguidores:
— Por que vieram me prender com espadas e cassetetes? Eu não sou um criminoso. Passei muito tempo com vocês ensinando no Templo de Jerusalém, mas vocês não me prenderam. O que vocês estão fazendo apenas confirma o que as Escrituras dizem a meu respeito.
Nesse momento, todos os apóstolos fugiram.
A TESTEMUNHA NUA
Marcos 51-52
Quando Jesus foi levado, um jovem, enrolado num lençol, seguia-o. Os agentes da polícia o agarraram pelo lençol, mas ele fugiu nu.
A CONDENAÇÃO À MORTE
Marcos 53-65
Os policiais conduziram Jesus ao sumo sacerdote Caifás.
Os membros do Sinédrio, o Conselho composto por sacerdotes, teólogos e outros dirigentes religiosos, esperavam por Jesus para começarem o julgamento.
Do lado de fora, Pedro acompanhava o desenrolar dos eventos. Ele chegou até o pátio do palácio e se sentou entre os funcionários, perto de uma lareira. Fazia muito frio e ele também se aquecia ali.
O Sinédrio, liderado pelos sacerdotes mais importantes, procurava recolher algum testemunho contra Jesus, de modo que pudesse condená-lo à morte. Nada foi encontrado contra ele. Havia testemunhas, mas era falso o que diziam. Todos os testemunhos eram contraditórios. Um, por exemplo, testemunhou assim:
— Todos o ouvimos declarar: “Eu posso destruir o Templo de Jerusalém e reconstruí-lo em três dias, mas não por mãos humanas”.
As testemunhas não concordavam entre si.
Assim mesmo, o sumo sacerdote Caifás se levantou, tomou o lugar na tribuna e perguntou a Jesus diretamente:
— Você não vai dizer nada para responder às testemunhas?
Jesus se manteve em silêncio absoluto, nada respondendo.
Caifás voltou a interrogar Jesus:
— Afinal, você é o Cristo, o filho do nosso bendito Deus?
Jesus respondeu:
— Sim, eu sou. Esperem e vocês me verão ao lado do Deus Eterno, o Todo-Poderoso, quando eu descer do céu para julgar a todos.
Caifás fez um rasgo em sua própria roupa, para mostrar indignação, e disse:
— Não precisamos mais de testemunhas. Ele mesmo se condenou com a blasfêmia que acabou de dizer. Para mim, está claro. E para vocês?
Por unanimidade, Jesus foi condenado à morte.
Ainda no tribunal, alguns começaram a cuspir em Jesus. Depois, ele foi encapuzado. Muitos batiam nele e debochavam:
— Adivinhe quem bateu em você?
Os policiais continuaram espancando Jesus.
A NEGAÇÃO DE PEDRO
Marcos 66-72
Enquanto isso, Pedro continuava no térreo do pátio do palácio. Uma empregada de Caifás o observou enquanto se aquecia, olhou bem para ele e disse:
— Ei, você! Você estava com Jesus, o nazareno.
Pedro negou:
— Não conheço esse homem. Não sei de quem você está falando.
Depois de falar, Pedro se dirigiu ao portão, para sair dali. Ouviu-se, então, o canto de um galo.
Novamente a empregada o notou e voltou a denunciá-lo, agora para quem pudesse ouvi-la:
— Ele faz parte do grupo de Jesus!
Pedro voltou a negar.
Pouco depois, algumas pessoas se aproximaram de Pedro e garantiram:
— É claro que você é do grupo de Jesus. Seu sotaque galileu não nega.
Pedro passou a xingar e a jurar que não conhecia Jesus.
Imediatamente, o canto de um galo foi ouvido pela segunda vez.
Pedro, então, lembrou-se das palavras de Jesus: “Pedro, antes que o galo da madrugada cante pela segunda vez, você negará três vezes que me conhece”.
Pedro, então, viu o que tinha feito e começou a chorar.
