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Mateus Capítulo 26

Jerusalém, quarta-feira, 1º de abril de 33

A CRUZ CADA VEZ MAIS PRÓXIMA

Mateus 1-2

Depois desses ensinos, Jesus anunciou aos apóstolos:

— Depois de amanhã, a Festa da Páscoa vai ser comemorada. Será o momento em que eu serei crucificado.

O DESEJO PELA MORTE DO CRISTO

Mateus 3-5

De fato, por essa época os dirigentes religiosos de Israel, reunidos no palácio do sumo sacerdote Caifás, em Jerusalém, estavam à procura de alguém capaz de trair Jesus, de modo que o pudessem prender e eliminar.

Eles decidiram também:

— Não vamos fazer isso no dia da Festa da Páscoa, para evitar que o povo se revolte.

A MULHER QUE HOMENAGEOU JESUS NUM JANTAR

Mateus 6-13

Antes desses eventos em Jerusalém, Simão, um cidadão que, no passado, sofrera de uma grave doença de pele e que morava em Betânia do Oeste, perto de Jerusalém, recebeu Jesus em sua casa para um jantar especial.

Quando estavam à mesa, apareceu uma mulher com um jarro caro. Feito de cerâmica de alabastro, o jarro estava cheio de um perfume importado. Ela derramou todo o conteúdo do jarro sobre a cabeça de Jesus.

Alguns ficaram indignados. Um deles logo a questionou:

— Para que tanto desperdício?

Outro complementou:

— Se esse perfume tivesse sido vendido, o dinheiro arrecadado daria para alimentar muitos pobres.

Tomando conhecimento da conversa, Jesus os repreendeu:

— Parem de criticar esta mulher. Ela fez algo para o meu bem. Não usem os pobres como desculpa. Vocês poderão cuidar deles em outras oportunidades. Esse foi um momento especial para mim, que estou prestes a morrer. Aproveitem este tempo comigo. Quanto a esta mulher, ela nunca será esquecida. Onde o Evangelho chegar, chegará a notícia do que ela acabou de fazer.

O PLANO DE JUDAS ISCARIOTES

Mateus 14-16

Por essa época, o apóstolo Judas Iscariotes estava em ação. Ele procurou os dirigentes religiosos com uma proposta:

— Estou pronto para lhes entregar Jesus. Só depende do quanto me pagarão.

Eles combinaram que o serviço da traição seria feito por 30 moedas de prata, equivalentes a um salário mínimo de um trabalhador.

A partir do trato feito, Judas Iscariotes passou a procurar o momento oportuno para entregar Jesus às autoridades religiosas de Israel.

A PREPARAÇÃO PARA A PÁSCOA COM OS APÓSTOLOS

Mateus 17-19

Para a celebração da Páscoa, todo tipo de alimento fermentado tinha que ser retirado de casa, segundo a tradição judaica vivenciada desde a saída do Egito.

Esta purificação precisava acontecer no primeiro dia da Celebração. Nesse dia, então, os apóstolos perguntaram a Jesus:

— Mestre, onde irás celebrar a Páscoa? Diga-nos, por favor, para que a preparemos.

Jesus respondeu:

— Vão até Jerusalém, procurem um certo homem, com o seguinte recado meu: "Nosso mestre manda dizer: está próxima a minha hora de partir e vou celebrar a Páscoa com os meus apóstolos na sua casa".

Os apóstolos fizeram como Jesus os tinha orientado e assim prepararam a Páscoa.

A CEIA COM OS APÓSTOLOS

Mateus 20-30

À noite, Jesus se sentou à mesa com os 12 apóstolos.

Estavam no início da refeição, quando Jesus afirmou:

— Tenho uma coisa para lhes dizer: um de vocês vai me trair.

Os apóstolos ficaram muito tristes com aquela informação. Um a um, perguntaram a Jesus:

— Serei eu, mestre?

Depois de os ouvir, Jesus respondeu:

— Quem vai me trair está aqui agora comendo à mesa comigo, como se fosse realmente meu amigo, como previsto no Salmo 41.9. Tudo o que foi profetizado a meu respeito vai acontecer. Tenho que ser traído, mas lamento muito pela vida daquele que vai me trair. Seria melhor que não tivesse nascido.

Foi nesse momento que Judas Iscariotes, o traidor, perguntou:

— Estás falando de mim, mestre?

Jesus respondeu:

— É você que está dizendo isso.

A celebração continuou.

Jesus pegou um pão, orou ao Pai Eterno. Depois, partiu o pão em vários pedaços, que foram entregues um a um aos apóstolos. Quando todos pegaram as suas partes, Jesus disse:

— Agora, comam. Comam esse pão como se fosse o meu corpo.

Em seguida, Jesus pegou o vinho, deu graças e passou o copo para que cada um bebesse um gole. Antes que bebessem, Jesus agradeceu ao Pai Eterno. Depois, disse aos apóstolos:

— Bebam. Bebam como se fosse o meu sangue, o sangue de um novo Pacto. Quem com fé celebra comigo este Pacto tem os seus pecados perdoados.

Eles beberam.

Jesus completou:

— Saibam que, a partir de agora, nunca mais beberei vinho. Só beberei quando nos encontrarmos no céu, na casa do nosso Pai Eterno.

Em seguida, cantaram um salmo e saíram em direção ao monte das Oliveiras, distante meia hora a pé.

AS PROMESSAS DE FIDELIDADE

Mateus 31-35

Chegando ao monte das Oliveiras, Jesus disse aos apóstolos:

"Esta vai ser uma noite difícil para todos. Lembrem-se da profecia de Zacarias:

  • 'Fira o pastor das ovelhas e o rebanho será disperso'.

  • (Zacarias 13.7)

Saibam, no entanto, que, depois da minha ressurreição, irei para a Galileia, onde me encontrarão".

Pedro pediu a palavra:

— Mestre, mesmo que todos desistam e fujam, estarei integralmente ao teu lado.

Jesus respondeu:

— Pedro, Pedro, não é isso o que vai acontecer. Hoje mesmo, antes que o galo cante pela segunda vez, você negará que me conhece. E você fará isso por três vezes.

Pedro insistiu:

— Nada disso, mestre! Se for preciso morrer contigo, morrerei. Jamais te negarei!

Um a um, os apóstolos repetiram a mesma promessa feita por Pedro.

A ORAÇÃO NO JARDIM

Mateus 36-46

Estando no monte das Oliveiras, Jesus levou os apóstolos a um jardim conhecido como Getsêmani ("prensa de azeite", em aramaico).

Quando chegaram ao jardim, Jesus lhes pediu:

— Sentem-se aqui. Vou orar ali, mais adiante.

Jesus levou em sua companhia Pedro, Tiago e João.

Enquanto orava, ficou muito triste e angustiado.

Antes de se afastar, Jesus lhes confidenciou:

— Estou profundamente triste. Estou transtornado. Preciso que fiquem aqui e orem por mim.

Então, sozinho, caminhou um pouco mais, ajoelhou-se e orou:

— Meu Pai Eterno, eu te peço que, se for possível, livra-me da morte. Se não for possível, eu me rendo, porque eu quero o que tu queres.

Quando voltou do lugar em que orava, Jesus encontrou os seus três apóstolos dormindo. Então disse a Pedro:

— Que tristeza, amigos… Vocês não conseguiram orar por mim nem por uma hora. Para que não pequem, vocês precisam orar com toda a dedicação. Não basta ter o desejo de não pecar; vocês precisam orar, porque são fracos.

Jesus deixou os apóstolos, por algum tempo, para orar, e assim o fez:

— Meu Pai Eterno, se não é possível que me livres da morte, aqui estou, pronto para fazer a tua vontade.

Quando voltou para os apóstolos, eles estavam dormindo profundamente, de novo.

Jesus os despertou e saiu, pela terceira vez, para orar. Ele dizia sempre as mesmas palavras.

Ao retornar, disse aos apóstolos:

— Não tem jeito! Vocês continuam dormindo, como se nada estivesse acontecendo… Vamos! Chegou a hora. Serei entregue, em momentos, nas mãos de homens malvados que me executarão. Levantem-se! Vamos embora! O traidor está chegando.

Jerusalém, quinta-feira 2 de abril de 33

A PRISÃO

Mateus 47-56

Jesus ainda estava conversando com os apóstolos, quando, na madrugada de quarta para quinta-feira, Judas Iscariotes, que era um dos 12, chegou. Estava protegido por uma delegação enorme de homens armados com espadas e cassetetes.

(Esses homens, que estavam a serviço dos dirigentes religiosos de Israel, sabiam a senha que tinha sido combinada com Judas Iscariotes para o momento do ataque. Era a seguinte: "Vou dar um beijo em nosso alvo. Quando eu o beijar, prendam-no".)

Judas Iscariotes chegou bem perto de Jesus e lhe disse:

— Shalom, rabi.

(Essa saudação hebraica significa "Paz, meu mestre".)

E, sem tardar, beijou-o nas duas faces do rosto.

Jesus, porém, disse:

— Judas, meu amigo, veja o que você está fazendo!

Nesse exato momento, homens armados agarraram Jesus e o prenderam.

Instintivamente, um dos apóstolos pegou sua espada, levantou-se e golpeou com força um membro da delegação que estava prendendo Jesus. Esse policial trabalhava para o sumo sacerdote. O golpe cortou a orelha do guarda.

Jesus, então, repreendeu o seu apóstolo:

— Coloque a espada na cintura. Quem confia na espada vai morrer pela espada. Se fosse para fazer o que você fez, eu mesmo pediria ao Pai Celeste para mandar um pelotão de anjos e me libertar. Tudo o que está acontecendo está de acordo com a vontade do meu Pai Eterno, como lemos nas Escrituras Sagradas.

Em seguida, Jesus se dirigiu à delegação que veio buscá-lo:

— Vocês vieram me prender, trazendo espadas e cassetetes, como se eu fosse um assaltante. Por que não me pegaram quando eu estava sentado no Templo ensinando? Se vocês lessem o que dizem os profetas nas Escrituras, saberiam que tudo o que está acontecendo é da vontade do meu Pai Eterno.

Quando Jesus parou de falar, todos os apóstolos o deixaram, correndo rápido dali.

O JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DOS JUDEUS

Mateus 57-68

Ainda na madrugada da quinta-feira, Jesus foi levado pelos homens armados para o palácio do sumo sacerdote Caifás, onde a sessão do tribunal do Sinédrio para o seu julgamento já tinha começado.

Do lado de fora, Pedro acompanhava os eventos. Ele chegou até o pátio do palácio. Infiltrou-se e se sentou entre os funcionários do sumo sacerdote. Queria saber como as coisas terminariam.

No tribunal, as autoridades, em companhia dos membros do Sinédrio, esperavam um motivo suficiente para a condenação de Jesus à morte. Não encontraram, apesar de muitas testemunhas falsas terem aparecido. O tribunal, no entanto, levou em conta dois testemunhos falsos.

Um homem testemunhou assim:

— Eu o ouvi dizer o seguinte: "Eu posso destruir o Templo de Jerusalém e reconstruí-lo em três dias".

Outro confirmou ter ouvido as mesmas palavras.

Então, o sumo sacerdote perguntou a Jesus:

— Você não vai dizer nada para responder às testemunhas?

Jesus ficou em absoluto silêncio.

Furioso, o sumo sacerdote disse:

— Eu exijo que você, jurando pelo Deus vivo, diga se é ou se não é o rei dos judeus. Afinal, você é o Filho de Deus?

Jesus respondeu:

— És tu que estás dizendo isso, não eu. O que tenho para dizer a todos aqui é que chegará o dia em que vocês me verão sentado ao lado do Deus Todo-Poderoso, quando eu vier sobre as nuvens.

Em sinal de protesto, o sumo sacerdote rasgou as suas roupas e gritou:

— Ele está blasfemando! Não precisamos de nenhuma outra testemunha. Vocês ouviram com seus próprios ouvidos.

Depois, perguntou ao júri:

— Então, o que vamos fazer?

Os juízes responderam:

— Vamos condená-lo à morte!

Alguns dos que estavam no tribunal cuspiram no rosto de Jesus. Outros bateram nele, inclusive na cabeça. Também debochavam assim:

— E aí, não vai dizer quem bateu em você?

A NEGAÇÃO POR PEDRO

Mateus 69-75

Pedro continuou sentado do lado de fora, no pátio.

Uma das empregadas do palácio de Caifás chegou perto do apóstolo e disse:

— Ei! Você estava com Jesus, que veio da Galileia.

Muitos ouviram o que a mulher dissera. Pedro, então, respondeu:

Moça, eu não tenho a menor ideia do que você está dizendo.

Ele resolveu sair dali, mas foi visto por outra empregada, que o denunciou:

— Peguem-no! Ele também estava com Jesus de Nazaré.

Pedro gritou:

— Eu não estava. Juro que não conheço esse homem.

Algum tempo depois, chegaram outras pessoas ao pátio. Vendo Pedro, uma delas o identificou:

— Tenho absoluta certeza de que você é um dos seguidores de Jesus. Está no seu sotaque. Não há dúvida que você é galileu como ele.

Pedro reagiu e começou a jurar pelo nome do Deus Eterno:

— Parem com isso! Eu não conheço esse homem!

Nesse momento, ouviu-se o canto de um galo.

Pedro se lembrou das palavras de Jesus, quando disse: "antes que o galo cante pela segunda vez, você negará três vezes que me conhece".

Pedro saiu de onde estava e chorou desesperadamente.