Jerusalém, quarta-feira, 1º de abril de 33
A CRUZ CADA VEZ MAIS PRÓXIMA
Mateus 1-2
Depois desses ensinos, Jesus anunciou aos apóstolos:
— Depois de amanhã, a Festa da Páscoa vai ser comemorada. Será o momento em que eu serei crucificado.
O DESEJO PELA MORTE DO CRISTO
Mateus 3-5
De fato, por essa época os dirigentes religiosos de Israel, reunidos no palácio do sumo sacerdote Caifás, em Jerusalém, estavam à procura de alguém capaz de trair Jesus, de modo que o pudessem prender e eliminar.
Eles decidiram também:
— Não vamos fazer isso no dia da Festa da Páscoa, para evitar que o povo se revolte.
A MULHER QUE HOMENAGEOU JESUS NUM JANTAR
Mateus 6-13
Antes desses eventos em Jerusalém, Simão, um cidadão que, no passado, sofrera de uma grave doença de pele e que morava em Betânia do Oeste, perto de Jerusalém, recebeu Jesus em sua casa para um jantar especial.
Quando estavam à mesa, apareceu uma mulher com um jarro caro. Feito de cerâmica de alabastro, o jarro estava cheio de um perfume importado. Ela derramou todo o conteúdo do jarro sobre a cabeça de Jesus.
Alguns ficaram indignados. Um deles logo a questionou:
— Para que tanto desperdício?
Outro complementou:
— Se esse perfume tivesse sido vendido, o dinheiro arrecadado daria para alimentar muitos pobres.
Tomando conhecimento da conversa, Jesus os repreendeu:
— Parem de criticar esta mulher. Ela fez algo para o meu bem. Não usem os pobres como desculpa. Vocês poderão cuidar deles em outras oportunidades. Esse foi um momento especial para mim, que estou prestes a morrer. Aproveitem este tempo comigo. Quanto a esta mulher, ela nunca será esquecida. Onde o Evangelho chegar, chegará a notícia do que ela acabou de fazer.
O PLANO DE JUDAS ISCARIOTES
Mateus 14-16
Por essa época, o apóstolo Judas Iscariotes estava em ação. Ele procurou os dirigentes religiosos com uma proposta:
— Estou pronto para lhes entregar Jesus. Só depende do quanto me pagarão.
Eles combinaram que o serviço da traição seria feito por 30 moedas de prata, equivalentes a um salário mínimo de um trabalhador.
A partir do trato feito, Judas Iscariotes passou a procurar o momento oportuno para entregar Jesus às autoridades religiosas de Israel.
A PREPARAÇÃO PARA A PÁSCOA COM OS APÓSTOLOS
Mateus 17-19
Para a celebração da Páscoa, todo tipo de alimento fermentado tinha que ser retirado de casa, segundo a tradição judaica vivenciada desde a saída do Egito.
Esta purificação precisava acontecer no primeiro dia da Celebração. Nesse dia, então, os apóstolos perguntaram a Jesus:
— Mestre, onde irás celebrar a Páscoa? Diga-nos, por favor, para que a preparemos.
Jesus respondeu:
— Vão até Jerusalém, procurem um certo homem, com o seguinte recado meu: "Nosso mestre manda dizer: está próxima a minha hora de partir e vou celebrar a Páscoa com os meus apóstolos na sua casa".
Os apóstolos fizeram como Jesus os tinha orientado e assim prepararam a Páscoa.
A CEIA COM OS APÓSTOLOS
Mateus 20-30
À noite, Jesus se sentou à mesa com os 12 apóstolos.
Estavam no início da refeição, quando Jesus afirmou:
— Tenho uma coisa para lhes dizer: um de vocês vai me trair.
Os apóstolos ficaram muito tristes com aquela informação. Um a um, perguntaram a Jesus:
— Serei eu, mestre?
Depois de os ouvir, Jesus respondeu:
— Quem vai me trair está aqui agora comendo à mesa comigo, como se fosse realmente meu amigo, como previsto no Salmo 41.9. Tudo o que foi profetizado a meu respeito vai acontecer. Tenho que ser traído, mas lamento muito pela vida daquele que vai me trair. Seria melhor que não tivesse nascido.
Foi nesse momento que Judas Iscariotes, o traidor, perguntou:
— Estás falando de mim, mestre?
Jesus respondeu:
— É você que está dizendo isso.
A celebração continuou.
Jesus pegou um pão, orou ao Pai Eterno. Depois, partiu o pão em vários pedaços, que foram entregues um a um aos apóstolos. Quando todos pegaram as suas partes, Jesus disse:
— Agora, comam. Comam esse pão como se fosse o meu corpo.
Em seguida, Jesus pegou o vinho, deu graças e passou o copo para que cada um bebesse um gole. Antes que bebessem, Jesus agradeceu ao Pai Eterno. Depois, disse aos apóstolos:
— Bebam. Bebam como se fosse o meu sangue, o sangue de um novo Pacto. Quem com fé celebra comigo este Pacto tem os seus pecados perdoados.
Eles beberam.
Jesus completou:
— Saibam que, a partir de agora, nunca mais beberei vinho. Só beberei quando nos encontrarmos no céu, na casa do nosso Pai Eterno.
Em seguida, cantaram um salmo e saíram em direção ao monte das Oliveiras, distante meia hora a pé.
AS PROMESSAS DE FIDELIDADE
Mateus 31-35
Chegando ao monte das Oliveiras, Jesus disse aos apóstolos:
"Esta vai ser uma noite difícil para todos. Lembrem-se da profecia de Zacarias:
'Fira o pastor das ovelhas e o rebanho será disperso'.
(Zacarias 13.7)
Saibam, no entanto, que, depois da minha ressurreição, irei para a Galileia, onde me encontrarão".
Pedro pediu a palavra:
— Mestre, mesmo que todos desistam e fujam, estarei integralmente ao teu lado.
Jesus respondeu:
— Pedro, Pedro, não é isso o que vai acontecer. Hoje mesmo, antes que o galo cante pela segunda vez, você negará que me conhece. E você fará isso por três vezes.
Pedro insistiu:
— Nada disso, mestre! Se for preciso morrer contigo, morrerei. Jamais te negarei!
Um a um, os apóstolos repetiram a mesma promessa feita por Pedro.
A ORAÇÃO NO JARDIM
Mateus 36-46
Estando no monte das Oliveiras, Jesus levou os apóstolos a um jardim conhecido como Getsêmani ("prensa de azeite", em aramaico).
Quando chegaram ao jardim, Jesus lhes pediu:
— Sentem-se aqui. Vou orar ali, mais adiante.
Jesus levou em sua companhia Pedro, Tiago e João.
Enquanto orava, ficou muito triste e angustiado.
Antes de se afastar, Jesus lhes confidenciou:
— Estou profundamente triste. Estou transtornado. Preciso que fiquem aqui e orem por mim.
Então, sozinho, caminhou um pouco mais, ajoelhou-se e orou:
— Meu Pai Eterno, eu te peço que, se for possível, livra-me da morte. Se não for possível, eu me rendo, porque eu quero o que tu queres.
Quando voltou do lugar em que orava, Jesus encontrou os seus três apóstolos dormindo. Então disse a Pedro:
— Que tristeza, amigos… Vocês não conseguiram orar por mim nem por uma hora. Para que não pequem, vocês precisam orar com toda a dedicação. Não basta ter o desejo de não pecar; vocês precisam orar, porque são fracos.
Jesus deixou os apóstolos, por algum tempo, para orar, e assim o fez:
— Meu Pai Eterno, se não é possível que me livres da morte, aqui estou, pronto para fazer a tua vontade.
Quando voltou para os apóstolos, eles estavam dormindo profundamente, de novo.
Jesus os despertou e saiu, pela terceira vez, para orar. Ele dizia sempre as mesmas palavras.
Ao retornar, disse aos apóstolos:
— Não tem jeito! Vocês continuam dormindo, como se nada estivesse acontecendo… Vamos! Chegou a hora. Serei entregue, em momentos, nas mãos de homens malvados que me executarão. Levantem-se! Vamos embora! O traidor está chegando.
Jerusalém, quinta-feira 2 de abril de 33
A PRISÃO
Mateus 47-56
Jesus ainda estava conversando com os apóstolos, quando, na madrugada de quarta para quinta-feira, Judas Iscariotes, que era um dos 12, chegou. Estava protegido por uma delegação enorme de homens armados com espadas e cassetetes.
(Esses homens, que estavam a serviço dos dirigentes religiosos de Israel, sabiam a senha que tinha sido combinada com Judas Iscariotes para o momento do ataque. Era a seguinte: "Vou dar um beijo em nosso alvo. Quando eu o beijar, prendam-no".)
Judas Iscariotes chegou bem perto de Jesus e lhe disse:
— Shalom, rabi.
(Essa saudação hebraica significa "Paz, meu mestre".)
E, sem tardar, beijou-o nas duas faces do rosto.
Jesus, porém, disse:
— Judas, meu amigo, veja o que você está fazendo!
Nesse exato momento, homens armados agarraram Jesus e o prenderam.
Instintivamente, um dos apóstolos pegou sua espada, levantou-se e golpeou com força um membro da delegação que estava prendendo Jesus. Esse policial trabalhava para o sumo sacerdote. O golpe cortou a orelha do guarda.
Jesus, então, repreendeu o seu apóstolo:
— Coloque a espada na cintura. Quem confia na espada vai morrer pela espada. Se fosse para fazer o que você fez, eu mesmo pediria ao Pai Celeste para mandar um pelotão de anjos e me libertar. Tudo o que está acontecendo está de acordo com a vontade do meu Pai Eterno, como lemos nas Escrituras Sagradas.
Em seguida, Jesus se dirigiu à delegação que veio buscá-lo:
— Vocês vieram me prender, trazendo espadas e cassetetes, como se eu fosse um assaltante. Por que não me pegaram quando eu estava sentado no Templo ensinando? Se vocês lessem o que dizem os profetas nas Escrituras, saberiam que tudo o que está acontecendo é da vontade do meu Pai Eterno.
Quando Jesus parou de falar, todos os apóstolos o deixaram, correndo rápido dali.
O JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DOS JUDEUS
Mateus 57-68
Ainda na madrugada da quinta-feira, Jesus foi levado pelos homens armados para o palácio do sumo sacerdote Caifás, onde a sessão do tribunal do Sinédrio para o seu julgamento já tinha começado.
Do lado de fora, Pedro acompanhava os eventos. Ele chegou até o pátio do palácio. Infiltrou-se e se sentou entre os funcionários do sumo sacerdote. Queria saber como as coisas terminariam.
No tribunal, as autoridades, em companhia dos membros do Sinédrio, esperavam um motivo suficiente para a condenação de Jesus à morte. Não encontraram, apesar de muitas testemunhas falsas terem aparecido. O tribunal, no entanto, levou em conta dois testemunhos falsos.
Um homem testemunhou assim:
— Eu o ouvi dizer o seguinte: "Eu posso destruir o Templo de Jerusalém e reconstruí-lo em três dias".
Outro confirmou ter ouvido as mesmas palavras.
Então, o sumo sacerdote perguntou a Jesus:
— Você não vai dizer nada para responder às testemunhas?
Jesus ficou em absoluto silêncio.
Furioso, o sumo sacerdote disse:
— Eu exijo que você, jurando pelo Deus vivo, diga se é ou se não é o rei dos judeus. Afinal, você é o Filho de Deus?
Jesus respondeu:
— És tu que estás dizendo isso, não eu. O que tenho para dizer a todos aqui é que chegará o dia em que vocês me verão sentado ao lado do Deus Todo-Poderoso, quando eu vier sobre as nuvens.
Em sinal de protesto, o sumo sacerdote rasgou as suas roupas e gritou:
— Ele está blasfemando! Não precisamos de nenhuma outra testemunha. Vocês ouviram com seus próprios ouvidos.
Depois, perguntou ao júri:
— Então, o que vamos fazer?
Os juízes responderam:
— Vamos condená-lo à morte!
Alguns dos que estavam no tribunal cuspiram no rosto de Jesus. Outros bateram nele, inclusive na cabeça. Também debochavam assim:
— E aí, não vai dizer quem bateu em você?
A NEGAÇÃO POR PEDRO
Mateus 69-75
Pedro continuou sentado do lado de fora, no pátio.
Uma das empregadas do palácio de Caifás chegou perto do apóstolo e disse:
— Ei! Você estava com Jesus, que veio da Galileia.
Muitos ouviram o que a mulher dissera. Pedro, então, respondeu:
Moça, eu não tenho a menor ideia do que você está dizendo.
Ele resolveu sair dali, mas foi visto por outra empregada, que o denunciou:
— Peguem-no! Ele também estava com Jesus de Nazaré.
Pedro gritou:
— Eu não estava. Juro que não conheço esse homem.
Algum tempo depois, chegaram outras pessoas ao pátio. Vendo Pedro, uma delas o identificou:
— Tenho absoluta certeza de que você é um dos seguidores de Jesus. Está no seu sotaque. Não há dúvida que você é galileu como ele.
Pedro reagiu e começou a jurar pelo nome do Deus Eterno:
— Parem com isso! Eu não conheço esse homem!
Nesse momento, ouviu-se o canto de um galo.
Pedro se lembrou das palavras de Jesus, quando disse: "antes que o galo cante pela segunda vez, você negará três vezes que me conhece".
Pedro saiu de onde estava e chorou desesperadamente.
