Jerusalém, sexta-feira, 3 de abril de 33
A CONDENAÇÃO PELO SINÉDRIO
Mateus 1-2
Na manhã da sexta-feira, todos os dirigentes religiosos de Israel, reunidos no Conselho, conhecido como Sinédrio, chegaram a um consenso para fazer tudo o que pudessem para que Jesus viesse a ser morto.
Jesus foi amarrado e transferido para outra cadeia, controlada por Pôncio Pilatos, que ocupou a função de governador por determinação dos romanos entre os anos 26 e 36 da Era Cristã.
O REMORSO DO TRAIDOR E SEU SUICÍDIO
Mateus 3-10
Judas Iscariotes soube que Jesus estava marcado para morrer pelas autoridades religiosas de Israel. Cheio de remorso, ele procurou os dirigentes no Templo de Jerusalém, querendo devolver as 30 moedas de prata que tinha recebido para trair Jesus.
Ele disse:
— Pequei gravemente, porque traí um inocente que, por minha causa, vai morrer.
Os dirigentes responderam:
— Não temos nada a ver com isso! O problema é seu; não nosso.
Judas pegou suas moedas e as jogou no chão. Depois, retirou-se. Ele encontrou um lugar na cidade e se enforcou.
Os sacerdotes recolheram as moedas e comentaram uns com os outros:
— Não podemos aceitar estas moedas como sendo uma oferta consagrada, porque este dinheiro foi o valor que pagamos por uma vida.
Eles se reuniram e decidiram comprar um terreno, onde havia uma olaria abandonada, e abriram ali um cemitério para os estrangeiros que viviam em Israel. Esse cemitério ficou conhecido como Campo de Sangue.
Confirmando-se, portanto, as palavras proféticas de Jeremias (Jeremias 19.1-13) e de Zacarias (Zacarias 11.13), os sacerdotes pegaram as 30 moedas de prata — a ninharia pela qual o traidor se vendera a alguns israelitas —, compraram o terreno da olaria abandonada e construíram um cemitério.
A CONDENAÇÃO POR PILATOS
Mateus 11-26
Ainda na manhã da sexta-feira, Jesus foi levado à sala onde Pôncio Pilatos despachava, diante de quem ficou em pé para ser interrogado.
O governador perguntou:
— Então, estou diante do rei dos judeus?
Jesus respondeu:
— Eu não disse isso. Tu o disseste.
Pilatos concedeu a palavra aos seus acusadores, que eram os dirigentes religiosos de Israel. Jesus permaneceu em silêncio.
Pilatos, então, perguntou a Jesus:
— Então, o que nos diz diante das acusações que acabaram de fazer contra você?
Jesus continuou em silêncio, o que agradou a Pilatos, que não queria condená-lo.
O governador fez um movimento nesse sentido. Ele sabia que era um costume local anistiar, por escolha popular, um prisioneiro por ocasião da Festa da Páscoa. Pilatos planejava lançar mão desse recurso.
Nessa mesma época, um criminoso muito conhecido se encontrava detido também sob custódia das autoridades romanas. Seu nome era Jesus, conhecido como Barrabás.
Do lado de fora do palácio, onde o julgamento acontecia, muitos esperavam a hora de participar. Então, Pilatos se dirigiu aos que aguardavam por sua decisão, nos seguintes termos:
— Temos dois prisioneiros esperando a execução. Um deles será anistiado: Jesus, conhecido como Barrabás, ou Jesus, chamado de Cristo. A quem devo soltar?
O governador sabia que as autoridades religiosas de Israel encaminharam Jesus para ser julgado apenas porque estavam com inveja diante da crescente popularidade dele.
A propósito, durante a audiência de julgamento, a esposa de Pilatos lhe enviou o seguinte recado:
"Não faça nada contra esse homem. Tive um pesadelo nesta noite por causa dele. Esse homem é inocente!"
As autoridades religiosas, no entanto, continuavam agindo para persuadir a multidão a pedir a soltura de Barrabás e a morte de Jesus.
O governador se dirigiu, de novo, aos presentes e voltou a perguntar:
— A quem devo soltar? Qual dos dois?
Pilatos continuou:
— O que querem que eu faça com Jesus, chamado de Cristo?
A resposta foi esta:
— Ele deve ser crucificado!
Pilatos fez outra pergunta:
— O que ele fez de errado?
O povo gritava:
— Queremos que ele seja crucificado!
Quanto mais demorava, mais o tumulto aumentava. Ele, por fim, desistiu de livrar Jesus da morte. Pediu que trouxessem uma bacia com água e lavou as mãos em público. Depois, comentou:
— Saibam que não tenho qualquer responsabilidade na condenação deste homem à morte. Vocês são os responsáveis.
O povo respondeu em uníssono:
— Deixa tudo por nossa conta! Nós e nossos filhos arcaremos com as consequências.
Assim, a pedido da multidão, Pilatos mandou soltar Barrabás.
Em seguida, determinou que Jesus passasse por uma sessão de espancamento e, então, fosse levado para o lugar da crucificação.
A TORTURA PELOS ROMANOS
Mateus 27-31
Imediatamente, após a sua condenação, Jesus foi levado para o quartel romano e entregue aos cuidados de uma guarnição de soldados.
Ali foi torturado.
Para humilhá-lo, tiraram toda a sua roupa e o vestiram apenas com uma capa vermelha, a mesma cor da capa usada pelos soldados. Depois, trançaram uma coroa feita com espinhos e a enfiaram, à força, na sua cabeça. Eles puseram ainda em sua mão uma vara para simular um cetro de rei.
Depois, alguns dos soldados se curvaram diante de Jesus e debocharam dele:
— Viva "o rei dos judeus"!
A tortura continuou. Eles cuspiram em Jesus e bateram várias vezes na sua cabeça com a vara.
Não satisfeitos com a sessão de deboche, os soldados romanos arrancaram a capa que tinham posto nele e o vestiram de novo com a roupa que tinham tirado dele.
Depois de tudo isso, eles saíram do quartel, em direção ao lugar da crucificação.
A SUBIDA PARA O LUGAR DA CRUCIFICAÇÃO
Mateus 32-44
No caminho, eles viram um africano chamado Simão, que era natural de Cirene (perto de onde se localizaria mais tarde a cidade de Xaate, na Líbia).
Os soldados obrigaram o homem a carregar a barra superior da cruz de Jesus pelas ruas de Jerusalém até o monte da "Caveira" ("Gólgota", em aramaico) e que ficava fora dos muros da cidade.
Chegaram ao local perto do meio-dia.
Ali crucificaram Jesus.
Com Jesus pregado na cruz, os soldados deram vinho misturado com fel. Jesus experimentou a bebida oferecida, mas ele a rejeitou. Depois, tiraram as roupas de Jesus e as sortearam entre os soldados.
A partir daí, sentaram-se e ficaram vigiando.
Eles tinham afixado na cruz, sobre a cabeça de Jesus, uma tabuleta com os seguintes dizeres:
"Aqui está Jesus, o rei dos judeus".
Dois rebeldes foram crucificados com Jesus, um de cada lado.
Quem passava por perto também debochava de Jesus. Alguns o reprovavam balançando a cabeça. Outros gritavam:
— Ei, você aí! Não é você que destrói o Templo e o reconstrói em três dias? Se você é mesmo o Filho de Deus, saia daí agora, se for capaz!
Os dirigentes religiosos tinham a mesma atitude. Um deles disse:
— Ele salvou tantas pessoas, mas nada pode fazer por si mesmo.
Outro prometeu, debochando:
— Se ele descer da cruz, crerei que ele é o Cristo, mas isso não vai acontecer.
Outro debochou:
— "Rei de Israel". Que piada!
Outro acrescentou:
— Ele dizia que confiava no Deus Eterno. Então, se o Deus Eterno o ama, venha tirá-lo da cruz. O que adiantou ele dizer que é o "Filho de Deus"? Ele não é Filho de Deus, coisa nenhuma!
Os rebeldes que estavam sendo crucificados naquele dia também insultavam Jesus.
A MORTE
Mateus 45-56
Perto do meio-dia da sexta-feira, tudo ficou completamente escuro por três horas.
Por volta das 3h da tarde, Jesus orou bem alto, sob máxima emoção:
— Eli, Eli, lemá sabactani?
(Essa frase dita em aramaico está no Salmo 22.1 e significa: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?")
Alguns comentaram, confundindo a palavra "Eli", Deus em aramaico, com "Elias", o nome do profeta antigo:
— Escutem! Ele está pedindo ajuda ao profeta Elias.
Depois, alguém saiu à procura de uma esponja. Voltou com ela nas mãos, molhou-a com vinagre, fixou-a numa vara e fez menção de levantá-la até os lábios de Jesus.
No entanto, alguns pediram para esperar:
— Vamos ver se o profeta Elias vem ajudá-lo.
Jesus, falando em voz bem alta, deu o seu último suspiro e morreu.
Nesse exato momento, a cortina do santuário do Templo de Jerusalém rasgou-se ao meio, de cima para baixo. Houve também um terremoto; rochas se quebraram, túmulos se abriram e mortos voltaram a viver.
(Depois da ressurreição de Jesus, os ressuscitados entraram em Jerusalém e foram vistos por muitas testemunhas.)
Diante dos fatos extraordinários ocorridos durante a morte de Jesus, o capitão romano e seus comandados, destacados para guardar o local, ficaram vivamente impressionados e afirmaram:
— Realmente, este Jesus era o Filho de Deus!
Algumas mulheres estavam próximas dali, guardando uma cautelosa distância. Elas eram da Galileia e vieram com Jesus desde lá, para cuidar dele. Três delas eram bem conhecidas:
"Maria Madalena
Maria (que era a mãe de José e Tiago, o Pequeno), e
Salomé (a esposa de Zebedeu)".
O SEPULTAMENTO
Mateus 57-61
Perto das 6h da tarde da sexta-feira, apareceu José, um seguidor de Jesus. Ele era rico e vivia em Jerusalém, mas era natural da cidade de Arimateia, localizada a 35 km de Jerusalém.
Antes, ele tinha pedido autorização a Pôncio Pilatos para enterrar o corpo de Jesus. Devidamente autorizado pelo governador romano, José de Arimateia pegou o corpo de Jesus na cruz, enrolou-o num lençol caro e o sepultou no túmulo que era de sua propriedade. Esse sepulcro, que era novo, tinha sido aberto numa grande rocha algum tempo antes e estava lacrado com uma pedra arredondada.
O sepultamento foi presenciado por Maria Madalena e por Maria, mãe de Tiago, o Pequeno, e José.
Jerusalém, sábado, 4 de abril de 33
UM ESQUEMA DE SEGURANÇA INÚTIL
Mateus 62-66
No dia seguinte, sábado, os principais sacerdotes, em companhia dos fariseus, foram até Pilatos com um pedido:
— Excelentíssimo governador, estamos aqui para te lembrar que o impostor Jesus dizia, enquanto estava vivo: "Depois de três dias, eu ressuscitarei". Diante disso, nós te pedimos para reforçar a segurança em volta do túmulo por três dias. Do contrário, os seguidores dele poderão vir roubar o corpo e dizer: "Jesus ressuscitou!" Se isso acontecer, será uma grande tragédia, maior do que quando ele se apresentou como sendo o Cristo.
O governador os tranquilizou:
— Vou disponibilizar uma escolta que vocês mesmos comandarão. Acompanhem os soldados. Deem a eles as orientações sobre como devem proceder.
Os dirigentes religiosos armaram um esquema de segurança, selaram a pedra que fechava o sepulcro e foram embora, deixando ali uma escolta romana devidamente instruída.
