OS 2.300 DIAS
Daniel 8.1-14
O próprio Daniel relata uma visão que teve depois do sonho relatado no capítulo anterior.
Depois do sonho em que apareceram quatro feras, tive outra visão.
Isso aconteceu em 551 a.C., durante o governo de Belsazar, que governava ao lado do pai, Nabônido.
Nessa visão, eu estava na cidade de Susã, que fica em Elão, um dos estados da Babilônia. No momento da experiência, eu estava em pé, às margens do rio Ulai. Vi lá um carneiro. Ele tinha dois chifres, de tamanhos diferentes. O mais longo apareceu por último.
Com os seus chifres, atacava para todas as direções. Todos os animais que o enfrentavam eram derrotados. Ninguém podia resistir ao poder dele. Por isso, ele era cada vez mais poderoso.
Eu ainda tentava entender o poder desse carneiro, quando um bode surgiu. Ele vinha de onde o sol se põe e percorria a terra toda. Na verdade, ele voava.
O bode tinha um chifre bem visível na testa, entre os seus olhos.
De repente, enfurecido, o bode correu para atacar aquele carneiro de dois chifres que eu tinha visto perto do rio Ulai. O ataque foi violento. O bode quebrou os chifres do carneiro, que nada pôde fazer.
O carneiro foi jogado no chão e pisoteado. Ninguém conseguiu livrá-lo dos chifres do bode, que se tornava cada vez mais poderoso.
No entanto, quando estava no auge do seu poder, o bode também foi atacado. Seu enorme chifre foi quebrado, mas no lugar dele surgiram outros quatro chifres também visíveis. Eles cresciam para todas as direções.
De um desses quatro chifres nasceu um menor, mas que foi crescendo à medida que se dirigia para o sul e para o leste. Ele cresceu tanto que ameaçou os corpos celestes e chegou a derrubar.
Na verdade, esse chifre menor cresceu tanto que ousou desafiar arrogantemente o próprio Deus.
O chifre proibiu todo tipo de culto prestado a Deus e destruiu o Templo de Jerusalém. A partir daí, o chifre passou a comandar todas as coisas e aboliu a ideia de que haja pecado. Ele acabou com a verdade na terra.
O chifre foi bem-sucedido em tudo o que fez.
No entanto, ouvi quando dois anjos conversavam. Um deles perguntou ao outro: “Até quando o culto diário ao Deus Eterno ficará proibido? Até quando o pecado vai triunfar?
Até quando o Templo ficará destruído? Até quando a terra será pisoteada?”
A resposta veio diretamente para mim:
“Tudo vai durar 2.300 dias. Então, o Templo será reconstruído”.
REVELAÇÕES DO ANJO GABRIEL
Daniel 8.15-27
Eu me pus, então, a entender o que via.
Enquanto refletia, apareceu na minha frente um anjo que se parecia com um ser humano.
Em seguida, ouvi a voz que vinha das margens do rio Ulai. Ela pedia: “Gabriel, ajude Daniel a entender o sonho”.
Então, o anjo perto de mim aproximou-se ainda mais. Fiquei com muito medo e me prostrei diante dele. Gabriel, no entanto, me confortou:
“Daniel, a visão que você teve se refere a coisas que ainda vão acontecer”. Gabriel me socorreu, levantando-me do chão, e me disse:
“Você precisa saber o que vai acontecer no tempo do Julgamento Final. A visão que você teve se refere ao fim dos tempos.
O carneiro de dois chifres representa os reis da Média e da Pérsia.
O bode representa o rei da Grécia. O chifre entre os olhos do bode representa o primeiro dos reis gregos.
O chifre foi quebrado e apareceram quatro chifres menores no lugar dele. Isso significa que o Império Grego vai se dividir em quatro, mas nenhum deles será tão poderoso quanto era antes.
Perto do fim do Império Grego, o pecado estará no auge. Nesse momento, surgirá um rei muito cruel, especialista em provocar intrigas.
Ele será muito poderoso, mas seu poder não virá dele mesmo.
Ele causará muita destruição e será bem-sucedido em tudo o que fizer. Ele destruirá todos os seus adversários, inclusive os israelitas.
Como será muito astuto, enganará muita gente.
Ele ficará orgulhoso e promoverá uma destruição devastadora.
Ele se levantará contra o próprio Deus Eterno, mas será destruído, sem nenhuma participação de mãos humanas.
Assim, Daniel, a visão dos 2.300 dias é verdadeira.
Só lhe peço que você a mantenha em segredo porque ela se refere a coisas que vão demorar a acontecer”.
Eu não suportei a experiência e fiquei atordoado durante vários dias. Depois, eu me levantei e voltei a trabalhar normalmente no palácio.
No entanto, eu continuava estarrecido com a visão que tivera e que guardei para mim apenas.
