O PROBLEMA DO CASAMENTO ENTRE JUDEUS E NÃO-JUDEUS
Esdras 9.1-4
Depois de algum tempo decorrido, alguns líderes me procuraram e disseram:
“Esdras, nosso povo, incluídos os sacerdotes e os levitas, não se afastaram dos povos que vivem perto da gente. Estamos errando porque não nos separamos dos cananitas, os hititas, ferezitas, jebusitas, amonitas, moabitas, egípcios e amoritas.
Os homens de nossas famílias se casaram com as mulheres dessas nacionalidades. Estamos todos misturados, como se não tivéssemos que viver de modo santo.
O exemplo para o pecado veio dos líderes e dos magistrados”.
Quando fiquei sabendo disso, mostrei a minha profunda indignação, rasgando minhas roupas, inclusive o meu casaco, cortando meu cabelo e fazendo minha barba. Fiquei perplexo.
Muitos dos que voltaram do exílio ficaram também indignados com os que desobedeceram à Palavra do Deus a quem amamos. Eu continuei sentado onde estava, sem nada fazer.
ORAÇÃO DE ARREPENDIMENTO
Esdras 9.5-15
Quando chegou a hora da oração da tarde, com as roupas ainda rasgadas, eu me animei, ajoelhei-me e, com as mãos levantadas, orei:
“Ó meu Deus!
Eu estou profundamente envergonhado.
Não tenho coragem de levantar a cabeça porque nos superamos na maldade.
A nossa culpa pelo que temos feito contra ti é totalmente real.
Nossa culpa vem de longe. Há muito tempo temos pecado.
Foi por causa dos nossos erros que fomos, nós, nossos reis, nossos sacerdotes, fomos exilados, mortos, escravizados, roubados e envergonhados.
Todos sabemos disso.
Apesar disso, ó Deus Eterno, tua graça nos alcançou, fazendo que alguns de nós voltássemos a viver tranquilamente na terra que nos deste.
Tu nos alegraste, trazendo-nos de novo a uma vida digna.
Éramos escravos, mas tu não permitiste que continuássemos escravos.
Bem ao contrário, tu mostraste tua bondade, fazendo que os reis da Pérsia fossem bondosos conosco e nos dessem as condições para voltarmos a viver.
Eles nos ajudaram a construir o teu Templo, reconstruir a cidade e fazer um muro para podermos viver em segurança em Israel.
E agora, o que vamos fazer, ó nosso Deus?
Nós abandonamos os teus mandamentos, os quais nos ensinaste por intermédio dos teus profetas, que nos disseram:
‘Então, não unam suas famílias às famílias desses povos por intermédio de casamentos.
Não vivam entre eles como se fossem seus amigos.
Se tomarem esses cuidados, vocês se manterão fortes e terão terras para se sustentarem e para deixarem como herança permanente para os seus descendentes.
Jamais procurem a paz e o bem desses povos, para que vocês sejam fortes e comam o melhor da terra, e a deixem como herança aos filhos de vocês para sempre’.
Ó Deus, quando vejo todo o mal que nos aconteceu por causa de nossos pecados, nos quais somos culpados, reconheço que o nosso sofrimento não foi por causa de tua bondade, mas foi consequência de nossa maldade.
Apesar do que fizemos, tu nos permitiste escapar do exílio.
Por isso, agora me pergunto: como é que ainda assim te desobedecemos formando famílias com os povos que vivem de modo tão corrupto?
Se persistirmos no erro, não ficarás indignado conosco a ponto de nos destruir completamente sem que ninguém do nosso povo sobreviva?
Ó Deus Eterno, o Deus a quem amamos, por seres justo é que voltamos do exílio e aqui estamos, embora não sejamos dignos de ti”.
(Terminam aqui as memórias de Esdras.)
